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Roteiros para descansar

Com dunas que se mexem, Galinhos (RN) se mantém intocada há décadas

Eduardo Vessoni

Do UOL, em Galinhos (RN)*

20/11/2014 07h01

Poucos destinos conseguiram passar ilesos à chegada do turismo de massa no Nordeste brasileiro como Galinhos, no Rio Grande do Norte. A cada temporada, esse vilarejo rústico de pescadores continua como se nada tivesse acontecido.

A maré segue na sua brincadeira de ocultar e revelar paradisíacas praias desertas, charretes e buggies ainda são as únicas opções de transporte e suas lagoas se transformam, diariamente, em cobiçadas piscinas naturais. Nem o polêmico projeto de instalação de um parque eólico na região conseguiu alterar a beleza de suas impressionantes dunas móveis que seguem desenhando o horizonte.

Quando perguntam o que mudou em Galinhos a Ana Muller, que há 30 anos largou tudo para ser feliz no Nordeste com o marido francês e administrar pousadas na região, a paulistana responde com um sorriso orgulhoso no canto da boca: "Nada".

E “nada” naquelas terras significa visitar impressionantes montanhas de sal em salinas da região, fazer passeios de buggy sobre dunas móveis (mas sem a imprudência da versão “com emoção” de outros destinos nordestinos), protagonizar roteiros gastronômicos com comida preparada na hora - e em pleno mangue, andar de charretes em praias desertas e piscinas naturais que se formam e desaparecem, pontualmente, a cada final de dia.

Localizado em uma península estreita da costa norte do litoral do Rio Grande do Norte, que mal chega aos 500m de largura, Galinhos e o vizinho distrito de Galos são a versão mais selvagem daquelas terras distantes, onde o Brasil faz a curva e parece ter se inspirado no Caribe para pintar suas águas.

Só pra se ter uma ideia, a primeira cidade abriga uma população discreta de 1.200 habitantes. Já Galos, um daqueles lugares capazes de fazer qualquer um querer mudar seu CEP permanentemente, tem apenas 400 felizardos morando em um dos destinos mais exclusivos do Nordeste. 

Eduardo Vessoni/UOL
Vista da Salina Diamante Branco, uma das paisagens dos passeios de barco na região Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

No entanto, não se iluda com as dimensões. O destino é rústico e isolado, mas as opções de turismo não cabem em um único dia de visita.

O vilarejo de Galinhos, cujo nome é uma referência aos peixes-galos da região, faz parte do Polo Costa Branca, junto com Mossoró e Areia Branca. O Polo é um roteiro do litoral norte marcado pelo contraste entre a vegetação típica da caatinga e o mar, recortado por dunas multicoloridas, falésias e extensas praias desertas. Confira as atrações da região de Galinhos:

Dunas: Ninguém sabe ao certo quantos quilômetros têm aquelas montanhas gigantes de areia móvel, mas, sem dúvida, as dunas são os principais ícones da região. Um dos endereços mais famosos é a Duna do André, cujo nome homenageia o "seu" André, que morava em uma palhoça na área.

Outro símbolo arenoso de Galinhos é a Duna do Capim, onde uma lagoa forma uma piscina natural com águas calmas e mornas, capazes de fazer qualquer visitante esquecer a hora de voltar para casa.

A ABG (Associação dos Bugueiros de Galinhos) conta com 20 membros, que fazem passeios a destinos como as dunas locais, o farol de Galinhos com vista do pôr-do-sol e o distrito de Galos. E o que é melhor, o passeio de duas horas de duração não possui a imprudente opção de viajar “com emoção”.

Praias x lagoas: Com altos níveis de salinidade e mar agitado, as praias da região de Galinhos nem sempre são convidativas para banhos. Mas quem se importa com isso, quando lagoas azuladas se formam entre dunas, bem diante dos olhos (e sob os pés)?

O endereço mais conhecido é a cenográfica Duna do Capim, onde os bugueiros deixam os passageiros para banhos na lagoa. E a estrutura local segue no mesmo nível de todo o destino: imensas dunas móveis, uma impressionante lagoa de tons azulados e águas mornas. E nada mais. 

Eduardo Vessoni/UOL
Final de tarde na Praia do Farol, em Galinhos (RN) Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

Praia do Farol: Cartão postal de Galinhos, essa praia é conhecida pelos finais de tarde escandalosos que pintam aquele mar de águas mais calmas que, segundo a maré, chega a cobrir a base do famoso farol local. Pode ser visitada a pé ou com os clássicos passeios de charrete até o farol.

Passeio gastronômico: O divertido Júnior Tubarão é protagonista de um dos passeios mais inusitados da região. José de Miranda, o verdadeiro nome do "tubarão" do mangue, conduz seu barco pelos mangues da região em busca de ostras que serão servidas no almoço, que ele mesmo prepara a bordo do seu barco Garça Azul, em alguma daquelas praias isoladas e paradisíacas de Galinhos.

No passeio, que dura meio dia, é possível visitar uma das salinas da região, parar para banhos na Lagoa do Capim e no rio Aratuá - um braço de mar que rodeia parte de Galinhos, avistar animais raros - como a tímida garça-azul, além do almoço preparado pelo Tubarão com sashimi de pescada branca e ceviche com carne de cavala feitos na hora com "molho manguezal", salada de frutas e água de coco servida com uísque. Para mais informações: (84) 8115-2772 e (84) 9998-2900.

Únicos em Galos: O distrito, a 3 km de distância de Galinhos, conta com estrutura ainda mais rústica, e essa é a melhor notícia. O local possui apenas uma opção de hospedagem: a pousada Peixe-Galo, administrada pelos simpáticos e apaixonados Ana e Patrick. Já o restaurante da Dona Irene, uma das moradoras mais antigas de Galos, serve refeições em um farto bufê com diversas opções de peixes.

COMO CHEGAR
Galinhos está a 170 km de Natal, com acesso pelas BR-406, até a altura do povoado de São Geraldo, e RN-402. Carros não entram no vilarejo (exceto os 4x4), é necessário deixá-los em um estacionamento de Pratagil, de onde saem os barcos até o destino. Os traslados saem a cada meia hora e a viagem dura 10 minutos. O serviço de transporte funciona das 5h às 22h.

ONDE FICAR
A pousada Peixe-Galo conta com apenas 10 apartamentos e está localizada em Galos, em frente da Ilha das Cobras e do rio Aratuá. Mais informações: www.pousadapeixegalo.com.br

* O jornalista Eduardo Vessoni viajou a Galinhos com o apoio da CVC

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