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Vizinha de Milão, cidade de Bérgamo é paraíso histórico desconhecido

Marcel Vincenti

Do UOL, em Bérgamo

17/06/2014 15h13

Os muros que cercam o centro histórico de Bérgamo, no norte da Itália, têm quase 500 anos. Erguidos para proteger os habitantes locais de invasões e saques, eles, nos dias de hoje, cumprem outra função: escondem e, ao mesmo tempo, realçam a beleza de uma das mais fascinantes cidades italianas.

Localizada a apenas 60 quilômetros de Milão, Bérgamo é o sonho de qualquer viajante fascinado por história: poucos turistas, muitas construções de séculos remotos e igrejas que fazem jus ao talento artístico dos italianos. São atrações de grande beleza, todas conectadas por vielas estreitas, escadarias charmosas e praças amplas e animadas.

Com 122 mil habitantes, Bérgamo é dividida em duas partes: a Città Bassa (Cidade Baixa) e a Città Alta (Cidade Alta). Enquanto a primeira congrega a parte residencial e de escritórios da cidade, a segunda é pura arqueologia: está erguida sobre uma colina que foi primeiramente colonizada no século 6 a.C. e foi reconhecida como municipium pelos romanos em 49 d.C.

Os muros de 20 metros de altura que a rodeiam, entretanto, só começariam a ser levantados em 1561, pela então Sereníssima República de Veneza, que dominava a região. Cercadas por jardins de macieiras, esses imponentes paredões são crivados por quatro portões: a Porta Sant'Agostino, a Porta San Giacomo, a Porta Sant'Alessandro e a Porta San Lorenzo. Ao cruzá-los, o turista irá se deparar com construções muito mais antigas que qualquer história relacionada ao Brasil e que hoje abrigam museus, teatros, restaurantes de primeira linha e sorveterias convidativas.

Passeio histórico

O coração da Cidade de Alta – e de toda Bérgamo – é a Piazza Vecchia, praça renascentista onde estão o Palazzo Nuovo (Palácio Novo), do século 17, o Palazzo della Ragione (Palácio da Razão), do século 12, e a Torre Cívica, de 52 metros de altura, que é aberta para visitas turísticas. De lá de cima, ao lado de um enorme sino, pode-se ver grande parte da cidade de Bérgamo – com seus diversos campanários, abóbadas e torres - e os campos verdejantes que a cercam. Todos as noites, às 22h, o sino soa 100 vezes, em um ritual que, antigamente, servia para marcar o fechamento dos portões da cidade. Hoje, é apenas uma tradição sem nenhum efeito prático, a não ser o de transportar o turista para um passado distante.

Marcel Vincenti/UOL
Bérgamo tem oucos turistas, muitas construções de século remotos e igrejas que fazem jus ao talento artístico dos italianos Imagem: Marcel Vincenti/UOL

O principal edifício dessa área, porém, é a Basílica de Santa Maria Maggiore, uma das mais belas igrejas de toda a Itália (e há muitas igrejas no país!). A basílica começou a ser construída há quase mil anos, em 1137, e congrega os diversos estilos em sua arquitetura. Sua porta é guardada por estátuas de leões feitas de mármore vermelho e seu interior ostenta uma complexa decoração barroca pouco vista em outros templos religiosos do país. Ao seu lado, está a Catedral da cidade, cujo grande atrativo é o afresco “O Martírio de Santo Alexandre”, obra-prima pintada pelo artista napolitano Nicola Malinconico em 1694 e que mostra o patrono de Bergamo cercado de anjos  e pagãos momentos antes de ser decapitado.   

O edifício octogonal logo ao lado da Basílica é o Battistero (Batistério), erguido em meados do século 14, que, além de uma fonte batismal, abriga baixos relevos em mármore com históricas sobre a vida de Jesus Cristo.     

Ainda na Cidade Alta, não deixe de visitar o Teatro Sociale (inaugurado em 1808 e ainda uma das principais casas de espetáculos de Bérgamo), o Museo Donizettiano (dedicado o talentoso músico local Gaetano Donizetti, que, no século 19, compôs mais de 70 óperas, todas muito apreciadas na Itália) e a Accademia Carrara, que exibe mais de duas mil obras de gênios como Ticiano, Rafael, Bellini, Botticelli e Canaletto.

Um dos passeios mais agradáveis para fazer em Bérgamo, entretanto, são as subidas até o Parco delle Rimembranze (Praça das Recordações) e o Castelo di San Vigilio, ambos em dois dos pontos mais altos da cidade. O primeiro abriga uma bela área verde para caminhadas, uma fortaleza do século 13 (conhecida como “La Rocca”) e o Museu del Risorgimento. O segundo foi construído no século 14 e oferece vistas impressionantes da cidade e de sua zona rural. Para se chegar até ele é necessário tomar um funicular ao lado da Porta San Alessandro. 

Ao final do dia, o turista seguramente estará exausto de tanto subir e descer as vielas da Cidade Alta de Bérgamo. Mas não há razões para desânimo: os famosos cafés, sorveterias e docerias italianas (não deixe de provar a Polenta e Osei) são abundantes na cidade. Um final doce para uma experiência que seguramente irá marcar a passagem do turista pelo bel paese.   

Dicas

Chegar a Bérgamo é fácil: há trens saindo diariamente, a cada hora, da Estação Central de Milão rumo à cidade. A viagem dura cerca de uma hora. Vale a pena reservar pelo menos dois dias para conhecer com calma as atrações locais. 

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