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Roteiros para descansar

Além de belo mar azul, Jamaica tem rios e cascatas de filme de James Bond

Baz Dreisinger

New York Times Syndicate

18/04/2014 08h00

Sol, areia e mar: uma receita atemporal, ao alcance de qualquer um no Caribe. Tudo bem, mas sol, areia, mar… e cidade? Se quiser aproveitar essa opção, visite então a Jamaica. Claro que essa ilha resplandecente possui áreas de resorts, onde é possível passar o tempo inteiro vadiando na praia; mas tem também Kingston, uma metrópole injustamente subestimada e malcompreendida. Sim, há favelas, há criminalidade, mas há também uma cultura cosmopolita, uma vida noturna vibrante, um cenário musical emergente e uma infinidade de deleites urbanos. Com uma nova companhia aérea (Fly Jamaica), um Marriott de 130 quartos em construção na capital, lounges descolados em ambos os aeroportos internacionais (Club Kingston e Club Mobay, decorados com as cores da bandeira nacional) e restaurantes pipocando por todo o país, a hora é ideal para explorar a ilha seguindo o mantra do Ministério do Turismo, inspirado no eterno Bob Marley: venha para a Jamaica e se sinta bem.


Sexta

13h - No ritmo de Bolt
Depois de desembarcar em Kingston, faça uma homenagem ao jamaicano mais querido - não o que canta, o que corre. O Tracks & Records de Usain Bolt é um restaurante, sports bar (com mais de 45 TVs, incluindo uma de 20 polegadas) e templo ultradescolado ao homem mais rápido da face da Terra, inclusive com produtos da marca Bolt à venda. No cardápio, uma mistura de pratos jamaicanos clássicos, como peixe assado e a sopa de ervilha vermelha viscosa, e adaptações bacanas como quesadillas de frango "jerk" e a "salada jam Asian Cobb". Um almoço sai por 1.200 dólares jamaicanos ou US$ 11,40 (com o dólar valendo 105 JMD) - praticamente todo o comércio da Jamaica aceita as duas moedas; podem até cobrar o valor em uma ou outra, mas recebem ambas. Fique de olho na série de apresentações mensais "Behind the Screen" de grandes artistas do reggae, sempre acústicas.

15h - Reggae & Rastafarianismo
Kingston é a meca do R & R, ou seja, Reggae & Rastafarianismo, dois dos maiores movimentos culturais do Caribe. Faça um curso relâmpago de imersão sobre os dois, e também da história, da flora e das artes locais nos museus que formam o Instituto da Jamaica, no centro histórico da capital, quase à beira-mar. Há a Galeria Nacional, que mescla a arte clássica jamaicana com exposições de vanguarda; o Museu de História Natural; o Museu de Música da Jamaica e o Liberty Hall, que homenageia o pioneiro Marcus Garvey na sede original de sua Universal Negro Improvement Association (ingresso a US$5 para adultos).

18h - Coquetéis ao pôr-do-sol
Surpreso com a beleza da selva de pedra de Kingston? Fique ainda mais ao apreciar o sol se pôr sobre as majestosas Montanhas Azuis bebericando um martíni no Sky Terrace, na cobertura do chiquérrimo Hotel Spanish Court. No estilo SoHo-style, com 107 quartos, foi o primeiro inaugurado na cidade, em 2009, depois de mais de três décadas - e ganhou também um spa na cobertura, uma loja de presentes eclética e, ainda ee, 2014, terá um wine bar.

20h - Jantar de chef famoso
Ele é o Jamie Oliver da Jamaica: Brian Lumley, de 27 anos, que já trabalhou para o embaixador francês e é garoto-propaganda de vários produtos locais, é o chef mais badalado da Jamaica. Seu novo restaurante, 689 by Brian Lumley, fica no centrinho da área turística, New Kingston. Sua especialidade é a massa com um toque das Índias ocidentais: pesto e lagosta, linguine de frango "jerk" e penne com frutos do mar (o jantar para dois, com vinho, sai por cerca de 7 mil JMD).

23h - Saideira real
A especialidade de Kingston não é a saideira, mas sim o "bashment", bailes que acontecem em salões de dança e casas noturnas lotadas até o sol raiar. Agora, porém, há uma alternativa: o Regency Bar & Lounge no recém-reformado Terra Nova All-Suite Hotel, um verdadeiro oásis de requinte, com poltronas de veludo, decoração com toques dourados e um cardápio à altura: pizza de pato, carneiro ao curry e churrasco de carne de porco. A melhor parte dele? Um rum de 50 anos, o Appleton, verdadeira iguaria local (vinhos a partir de US$6; coquetéis, US$5; não cobra couvert).

Diana Zalucky / The New York Times
Um dos cenários entre Kingston e Ocho Rios: muito verde, terra vermelha e montanhas impressionantes Imagem: Diana Zalucky / The New York Times

Sábado

8h - Na estrada
Não tire uma soneca quando estiver indo para o "interior", que é como o pessoal da capital chama qualquer região fora de seu perímetro, do contrário vai perder as paisagens espetaculares. A duas horas e meia de carro de Kingston, Ocho Rios (ou "Ochi", como eles chamam; se disser "Ocho" vão saber que você é turista) é o delírio de qualquer fã do Instagram: muito verde, terra vermelha e montanhas impressionantes. Saboreie o café da manhã ao logo do caminho, no Faith's Pen, um trecho famoso que reúne barraquinhas simples de madeira com todas as delícias jamaicanas: milho assado e fruta-pão, callaloo (a versão jamaicana da couve), ackee e peixe no sal (prato nacional, que tem o visual e a textura de ovos mexidos com pimentão e bacalhau desfiado) e garapa ou suco de manga (cerca de 700 JMD/pessoa).

11h - Jogos à beira-mar
O nome discreto contraria seu esplendor: o Jamaica Inn foi inaugurado em 1950 como uma pousada pequenina. Marilyn Monroe e Arthur Miller, em lua-de-mel, já estiveram entre os hóspedes, mas a propriedade agora é um refúgio grandioso, embora aconchegante. Deixe as malas na recepção (o check-in é feito às 15h) e pegue os martelos. Isso mesmo, martelos. À beira-mar há um charmoso gramado para croquet, perfeito para uma partida antes do almoço. Emende com um mergulho naquela que indiscutivelmente é a praia mais impecável de Ochi, com areia branca, água superazul e as ondas quebrando nos recifes ao longe.

13h - Frango "jerk"
Frango "jerk" é o maior clichê culinário da Jamaica, mas você pode saboreá-lo no local onde foi criado e comprovar seu verdadeiro sabor. Com quatro casas espalhadas pela ilha, o Scotchie's é o templo do churrasco nesse estilo: carne de porco, frango, linguiça e peixe, tudo marinado em uma mistura de pimenta-da-jamaica, cravo, canela e noz-moscada e grelhado sobre galhos de pimenta-doce, o que lhe dá um sabor defumado inigualável. As mesas de piquenique ficam sob as palapas e o único acompanhamento de que precisam é uma Red Stripe bem gelada (o almoço sai por 1.300 JMD).

15h - Abaixo de zero
Poderia até ser infantil se não fosse tão divertido: finja que é astro de "Jamaica Abaixo de Zero", que a Disney lançou em 1993, e homenageie a equipe que foi às Olimpíadas de Inverno de 1988 zunindo pela paisagem luxuriante sobre um bobsled com as cores do país. Essa é apenas uma das atrações do Parque Rainforest Adventures, em Mystic Mountain; há também uma piscina e tobogã, jardim de borboletas e beija-flores, tirolesa e o SkyExplorer, um tipo de teleférico que o leva a mais de 200 m de altura para admirar a bela vista (a US$137,50, o pacote Jamaica Tranopy inclui o bobsled, a tirolesa e o SkyExplorer).

18h - Mais R&R
"KiYara", diz o folheto, significa "local sagrado dos espíritos da terra" em taino, a língua dos indígenas que habitavam a ilha. E não é exagero: o Jamaica Inn KiYara Ocean Spa tem um clima de casa de árvore (de bambu) suspensa sobre o mar sereno. Opte pela massagem 4-Hand Bliss, durante a qual dois profissionais trabalham em conjunto para acabar com a tensão em todo o seu corpo.

20h30 - Pratos autênticos
O Miss T's Kitchen simboliza o "interior jamaicano": telhado de zinco, mesas multicoloridas, cadeiras feitas de barris de madeira e, principalmente, pratos jamaicanos autênticos - curry de cabrito, rabada, peixe à moda escoveitch (frito, com vinagre de especiarias e pimenta Scotch-Bonnet) ou "cozido marrom", além de seleções veganas (o jantar/pessoa, com bebida, não sai por menos de 1.800 JMD). Para fazer a digestão, dê um pulo a Main Street, principal região turística de Ochi, onde pubs barulhentos e espaços de música ao vivo servem rum ao som de mais um cover de "One Love".

Diana Zalucky / The New York Times
"Jamaica" vem da palavra da língua taina para "terra das fontes", e por uma boa razão: o que não falta na ilha são rios e cascatas, como Dunn's River Falls Imagem: Diana Zalucky / The New York Times

Domingo

7h - Quedas d'água e lagoas
"Jamaica" vem da palavra da língua taina para "terra das fontes", e por uma boa razão: o que não falta na ilha são rios e cascatas. E Dunn's River Falls é a Disneylândia de todas elas: são 182 metros de quedas e lagoas, já foi locação para "007 Contra o Satânico Dr. No", palco de uma batalha entre espanhóis e ingleses e está quase sempre lotada de turistas. A exceção são as primeiras horas da manhã. Assim, o jeito é se levantar com as galinhas, saborear um café da manhã elegante na varanda de frente para o mar do Jamaica Inn, e deixar que a balsa do hotel o leve e traga das cachoeiras para desfrutar todo o seu esplendor em particular (US$110 para duas pessoas).

13h30 - Viagem no tempo
Saindo de Montego Bay para voltar para casa (a distância de Ochi aos dois aeroportos da ilha é praticamente a mesma), pare em Falmouth, mais precisamente Trelawny, que abriga um porto para cruzeiros de US$220 milhões, inaugurado em 2011 - se bem que a verdadeira atração é mais antiga: como uma das cidades georgianas mais bem preservadas do Caribe, em Falmouth há um bairro histórico que contém uma coleção considerável e quase intacta de exemplos da arquitetura colonial britânica. Faça o passeio que passa pelas igrejas, o tribunal e a agência do correio com a Falmouth Heritage Renewal, dedicada a preservar e restaurar a arquitetura e história locais; a instituição também está montando um museu sobre a escravidão na antiga casa de um emancipador britânico.

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