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Conheça de perto o refúgio predileto dos papas nos jardins do Vaticano

Anelise Sanchez

Do UOL, em Roma, Itália

05/03/2014 16h36

Se existe algo em comum entre os turistas que visitam Roma é a enorme curiosidade sobre o Vaticano e os seus eventuais mistérios. Cristãos e ateus do mundo desafiam a própria imaginação na tentativa de descobrir o que acontece nos bastidores das colunas de São Pedro.

Para conhecer um pouco mais da intrigante história do Papado, até bem pouco tempo atrás os turistas visitavam quase exclusivamente lugares extremamente vigiados como a Capela Sistina ou o Museu Vaticano. Recentemente, porém, o Vaticano abriu as portas de seus jardins, concedendo aos seus visitantes a chance de “espiar” de perto o lugar preferido pelos papas para a meditação.

O tour é organizado pela Opera Romana Pellegrinaggi (ORP), dura cerca de uma hora e é realizado a bordo de um micro-ônibus ecológico e munido de GPS. A cada meia hora, 28 turistas podem conhecer os jardins.

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Claro que o percurso proposto pelos organizadores do passeio não permite que os participantes afastem-se dos pontos de parada obrigatória, mas mesmo assim percorrer os jardins nos dá a sensação de cruzar a fronteira de um mundo desconhecido.
As reservas para o passeio devem ser feitas antecipadamente por telefone (0039 0669896380) e os bilhetes retirados na sede da Opera Romana Pellegrinaggi (Piazza Pio XII, 9).

Os guias conduzem o grupo até o micro-ônibus e mesmo a poucos passos da Via della Conciliazione é impossível não notar que estamos entrando em um território estrangeiro. Como esperado, policiais controlam a bolsa de cada visitante enquanto dois folclóricos guardiões suiços não desviam o olhar da fronteira vaticana.

O visitante recebe um fone de ouvido para acompanhar as explicações multilingua de um áudio-guia e o ponto de partida do passeio pelos 20 hectares dos jardins é o Largo Santa Marta, construído durante o papado de Pio XI.

Conta-se que, entre 326 e 333 foi o imperador Costantino quem autorizou a construção da antiga basílica de São Pedro e que somente mais tarde, entre 848 e 842 o Papa Leão IV (847-55) cercou o território com o chamado “Muro Leonino”, de 12 metros de altura.
Até então, a basílica não era a residência oficial dos papas. Somente em 1279, Nicolau III (1277-80), que também ampliou a muralha e uniu o Vaticano ao Castel Sant’Angelo, transferiu-se definitivamente na cidade vaticana.

Um dos primeiros momunentos observados nos jardins é o Palazzo del Governatorato, ou seja, o edifício que abriga a administração central do local e um brasão da cidade do Vaticano, representado por duas chaves de ouro e prata entrelaçadas, uma tripla coroa e cruz de ouro e pelo brasão pessoal do Papa. No caso de Bento XVI, o principal elemento é uma grande concha de ouro que pretende recordar a lenda atribuída a Santo Agostinho. Encontrando um jovem que com uma concha tentava colocar toda a água do mar num buraco cavado na areia, Agostinho compreendeu a referência ao esforço de interpretar o mistério divino com a limitada razão humana.

  • Alfredo Santucci/UOL

    Templo dedicado a Madonna della Guardia e doado pela população de Genova ao Vaticano


O tour percorre alguns dos lugares preferidos pelos papas e lembra que João Paulo II adorava passear diariamente sozinho e a pé por todo o jardim, pelo menos até o atentado de 1981.

Circundado de silêncio e pela sombra da imponente cúpula vaticana os jardins mesclam cenas de vida ordinária com uma suntuosidade única. Jóias arquitetônicas como a Casina di Pio IV, sede da Pontificia Accademia delle Scienze e da Pontificia Accademia delle Scienze Sociali projetada por Pirro Logorio, também arquiteto da famosa Villa d’Este, em Tivoli (Roma), ocupam o mesmo território de um posto de gasolina, a sede de uma rádio, um heliporto ou de uma pequena estação ferroviária. Tudo isso sem colocar os pés para fora da fronteira vaticana.

Os jardins possuem mais de 300 raras espécies vegetais e 6.500 variedades de plantas de todos os continents, como sequóias, coqueiros e árvores de Ceibo, também conhecidas como árvores de coral, graças a suas flores vermelho escalarlate. Uma das plantas de maior valor simbólico do local è um pé de azeitonas doado pelo governo de Israel para marcar o início das relações diplomáicas entre os dois estados.

Espécies exóticas decoram os jardins, assim como belas fontes como a “Fontana dell’Aquilone” - decorada com uma grande águia - e grutas artificiais. Para os fiéis, uma das paradas mais apreciadas do passeio é aquela diante da gruta que abriga o santuário de Lourdes; um presente do bispo de Tarbes para o Papa Leão XIII, em 1902. Conta-se que esse mesmo papa, amante dos animais, também havia criado uma espécie de zoológico dentro dos jardins do Vaticano.

Outros lugares de grande fascínio dentro dos jardins são a Torre Leonina, o mais antigo observatório astronômico do mundo e mais tarde sede da Rádio Vaticana, e também o edificio no qual Nobel Guglielmo Marconi , inventor do telegrafos sem fio e da rádio, transmitiu pela primeira vez a voz de um papa.

Meeting Point Opera Romana Pellegrinaggi
Piazza Pio XII, 9 - Roma
www.romacristiana.org/it/index.html
O passeio è realizado todos os dias, exceto as quartas-feiras, domingos e feriados, das 8h30 às 13h. Já o áudio-guia fornece informações em inglês, italiano, francês, alemão e espanhol.

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