Eduardo Vessoni/UOL
Considerado o maior vulcão ativo do mundo, o Cotopaxi possui 5.897 metros de altura e uma cratera com 200 metros de profundidade Eduardo Vessoni/UOL

Quito é agradável surpresa para viajante que desembarca na metade do mundo

O Equador é aquele pequeno país sul-americano que brasileiros só costumam lembrar quando o assunto é a linha imaginária que corta o planeta em dois hemisférios. Mas bem além da conhecida Linha do Equador, ainda em território equatoriano, esse país de 272 mil km² sem fronteira com o Brasil oferece boas opções de turismo, como a capital Quito.

A lista de títulos conquistados por seu centro histórico é tão variada quanto suas atrações. Ser considerado o "Primeiro Patrimônio Cultural da Humanidade", em 1978 pela Unesco, talvez seja o de maior orgulho para a população local.

As distinções não param por aí e carregam a mesma imponência de seus casarões e templos religiosos do período colonial. Seu centro histórico é o maior da América; suas ruas estreitas de arquitetura caprichada já foram a "Joia da Coroa espanhola" e a famosa "Escuela Quiteña", conjunto de manifestações artísticas estimuladas pela criação da Escuela de Arte y Oficios, no século 17, levou para todo o continente pinturas e esculturas elaboradas por artistas indígenas que acabavam de incorporar o estilo europeu a seus trabalhos.

No entanto, a monumentalidade dessa região andina, situada em um vale a 2.800 metros sobre o nível do mar, não se materializa apenas em edifícios coloniais ganhadores de títulos. A "metade do mundo", como a região de Quito é conhecida por estar situada na latitude 0° 0' 0?, é cortada pela "Avenida de los Volcanes", uma sequência de vulcões que segue em direção ao sul da província de Pichincha, onde a cidade se localiza.

Essa via, alcunhada pelo explorador alemão Alexander von Humboldt, é uma das mais belas atrações naturais do país. Além do famoso Cotopaxi, principal cartão postal de Quito, o visitante pode conhecer outros símbolos naturais como o Chimborazo, a montanha mais alta do país; o Carihauirazo, com mais de cinco mil desafiadores metros de altura; o Sangay, no parque nacional de mesmo nome; e o famoso Pichincha, cuja base se encontra próximo à cidade.

À luz do dia, a capital e seus arredores são capazes de tirar o fôlego dos visitantes. Mas, quando o sol se esconde detrás daquelas imensas montanhas, o cenário local ganha uma iluminação especial que destaca detalhes arquitetônicos ofuscados pelo caos que costuma tomar conta da cidade em horários de maior movimentação.

Seu centro se ilumina com feixes de luz amarela, as igrejas e alguns edifícios históricos ficam ainda mais imponentes com o banho de luz branca sobre suas cúpulas e fachadas, e antigas ruas coloniais se enchem de turistas e locais em busca de bares e restaurantes. O cenário não lembra, nem de longe, o caos diurno da segunda cidade mais povoada do Equador.

A melhor expressão dessa mudança brusca de energia pode ser observada em La Ronda, uma rua exclusiva para pedestres com estabelecimentos como galerias de arte, cafés e bares que foram reabertos, a partir de 2006, para receberem os mais boêmios que circulam pelo centro histórico, onde também há boas opções de hospedagem. Entre casas coloniais e lojinhas descoladas, o viajante esquece as temperaturas mais baixas que costumam gelar as noites de Quito e se aquece com a bebida mais famosa da rua: o canelazo, aguardente quente preparada com canela, cravo e naranjilla, uma fruta ácida típica dos países andinos.

O Equador parece mesmo ser uma linha que vai bem além do que a mente pode imaginar.

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