Daniel Ribeiro/UOL
Donos de comércios, chefs de cozinha e cozinheiros atentos vão ao Ver-o-peso, em Belém (PA), pouco depois das duas da manhã, quando chegam os primeiros barcos ao mercado Daniel Ribeiro/UOL

Porta de entrada para a Amazônia, Belém esbanja parques ecológicos e construções históricas

Uma grande quantidade de edifícios em meio a rios, ilhotas e uma densa paisagem de mata amazônica: essa é a visão que se tem sobrevoando a maior metrópole e a segunda cidade mais populosa da região Norte. Sem dúvida, Belém é Amazônia, sim senhor. E sabendo-se Amazônia, fez vários investimentos nos últimos dez anos para receber uma leva de turistas brasileiros e estrangeiros interessados em conhecer a diversidade dos ecossistemas da região.

Situada na linha do Equador, Belém é quente e bastante úmida por conta das chuvas que caem quase todos os dias. Não é exagero a velha lenda que diz que o cidadão de Belém marca encontros com a referência de horário sendo "depois da chuva". 

Principal via de entrada para a floresta amazônica por conta de sua posição geográfica, a região metropolitana de Belém é formada por cinco municípios. Situada às margens do rio Guamá, na foz do rio Amazonas, a cidade nasceu no Forte do Presépio em 1616 por conta dos esforços das forças luso-espanholas em conquistar a região --sim, luso-espanholas, pois Portugal nessa época estava sobre poder de Felipe 2º, rei da Espanha. Ali habitavam os tupinambás, que até chegaram a resistir com um "exército" de 10 mil índios e um líder: Guamiaba. Mas com sua morte em uma das batalhas, os tupinambás fugiram da região costeira, indo para o interior da Amazônia.

A capital paraense foi também sede de uma forte comunidade jesuítica, até o Marquês de Pombal conseguir expulsá-los, em meados do século 18. Talvez a consciência religiosa de Belém venha já daí. A festa do Círio, o maior atrativo de pessoas à cidade e que acontece na segunda semana de outubro é a maior prova da fé característica do povo belenense, quando milhares de pessoas saem às ruas para pagar ou fazer promessas para a Virgem de Nazaré.

Por estar distante dos núcleos de decisões do Nordeste e Sudeste brasileiros e por ter uma ligação mais forte com Portugal, a província do Grão-Pará só veio reconhecer a independência do Brasil um ano depois, em 15 de agosto de 1823. Foi palco também da Cabanagem, movimento de cunho altamente popular que conseguiu derrubar o governo local, durante os anos de 1835 e 1840.

Mas a época mais importante em termos econômicos para Belém foi o ciclo da borracha, no final do século 19 e início do 20. Com o dinheiro que vinha da matéria-prima, a capital do Pará passou a importar costumes, mão-de-obra e investimentos estrangeiros. Famílias de franceses, portugueses e japoneses vieram residir na cidade, trazendo um pouco dos costumes da Belle Époque: a cidade passou a ser conhecida como Paris n’América. Datam dessa época diversas construções famosas, como o Theatro da Paz (1878), o Palácio Antônio Lemos e o Mercado Ver-o-Peso.

São esses edifícios alguns dos pontos que dão vida e atraem turistas, hoje em dia, ao centro histórico da cidade, localizado nos bairros de Cidade Velha e Campina. Para o viajante apaixonado por arquitetura, vale se hospedar próximo da região, que também oferece opções gastronômicas e de diversão interessantes.

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