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Quebrada de Humahuaca é formada por pequenos povoados Thinkstock

Quebrada de Humahuaca é destino para quem busca isolamento e aventura

Os diálogos se dão de forma mansa e em um tom abaixo do normal, são econômicos nas palavras, já que o ar é um elemento precioso nessas altitudes; os passos são lentos e os olhos negros, levemente puxados, são penetrantes, porém discretos. A discrição por essas paragens é tão grande que algumas famílias chegam a construir casas dentro da terra para protegerem-se do sol forte e do chão árido.

Assim é a vida na Quebrada de Humahuaca, um vale estreito e montanhoso de 155 km que cruza o noroeste da Argentina, quase na fronteira com a Bolívia e na mesma direção do deserto do Atacama.

Parece ironia, mas a região agitada que serviu de ligação entre as altas montanhas andinas do norte argentino à rica Cusco, no Peru, é, hoje, o destino de quem busca isolamento com uma dose extra de aventura entre montanhas multicoloridas e estradas que levam a povoados pré-incaicos que ainda têm muitas histórias para contar. São tantas que a Unesco declarou a região como "Itinerário Cultural de 10.000 anos" e desde 2003 é Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade.

O que antes fora uma região disputada por povos como os aimarás, omaguacas, incas e espanhóis, é hoje um corredor de atrativos naturais, arqueológicos e culturais que deixou de receber apenas turistas argentinos e quer compartilhar a sua história com o resto do mundo. Formada por pequenos povoados charmosos como Purmamarca, com 500 habitantes, e Tilcara, a Quebrada de Humahuaca é o inusitado lado argentino em que os atrativos são montanhas policromáticas pintadas por minerais, salares, desenhos pré-incaicos, ruínas arqueológicas e cactos gigantes localizados em altitudes que ultrapassam os três mil metros sobre o nível do mar.

No entanto, a Quebrada de Humahuaca ainda tem muito a ser explorada no setor turístico. Atualmente, existe um comitê trinacional que estuda meios de incluir a região entre os viajantes que percorrem a aridez do sul boliviano, pelos salares e desertos do Uyuni, e o mundialmente conhecido Deserto do Atacama. Mas enquanto a marca "norte argentino" não se firma no mundo, turistas europeus, principalmente, quebram os estereótipos sobre a Argentina do tango e da neve e se impressionam com uma das paisagens menos argentinas daquele país. A Argentina que andaram divulgando em terras brasileiras nos últimos anos fica sem sentido nessa região.

Aventureiros amantes das paisagens sul-americanas já sonharam em subir o Aconcágua, colocar os pés sobre as terras frias da Patagônia ou praticar esportes radicais em Mendoza. Mas ao final do roteiro pelo norte argentino, o viajante se dá conta de que ainda há um destino a ser explorado que demorou 10.000 anos para ser planejado.

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