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Fábio Massari

Jornalista viaja em busca de achados musicais; veja suas indicações

Da Redação
O jornalista Fábio Massari, que carrega o título de maior conhecedor do rock do Brasil, viaja em busca de sons. Em destinos inusitados, que vão da Islândia à Nicarágua, ele trilha a viagem de acordo com "achados musicais" que descobre pelo caminho.

"Eu me divirto muito indo atrás do som. Teve um período em que levava muito Zappa na mala", diz. Fã do compositor e satirizador, o jornalista conseguiu entrevistá-lo em 1991. A admiração e o conhecimento pelo músico americano levaram à criação do seu último livro, "Zappa: Detritos Cósmicos", lançado na última quarta-feira (7), pela editora Conrad. A obra traz as duas entrevistas concedidas pelo músico à imprensa brasileira, além de textos de Rogério Skylab, Fernando Bonassi e Wander Wildner, além de ilustrações de Caco Galhardo e Allan Sieber.

Em 2001, o jornalista também lançou o livro "Rumo à Estação Islândia", no qual conta suas impressões sobre o país e a música ali produzida. Em 1999, Massari já havia entrevistado, por exemplo, a banda irlandesa de pós-rock Sigur Rós, cujas marcas principais são os elementos melódicos, clássicos e minimalistas, além dos belos falsetes utilizados por seu vocalista, Jónsi. Dois anos depois, o grupo viria a se tornar um sucesso no mundo, apresentando-se inclusive no Brasil, no extinto Festival Free Jazz, no Rio de Janeiro (RJ).

Outro destino nada convencional das pesquisas de Massari foi a Nicarágua. O interesse se deu, sobretudo, pela curiosidade que nutriu durante a infância acerca do movimento sandinista, que em 1979 rompeu com uma ditadura de 45 anos no país. "E, é claro, pelo clássico 'Sandinista', do The Clash", conta. O jornalista encontrou dificuldades em achar a cena local, porque lá o "underground é o lado C", conta. "É tudo muito abandonado e perigoso. Em 2001, a fita-cassete ainda era bastante utilizada", afirma. Massari comenta que os achados musicais foram os "Los Panzers" (tipo uma jovem guarda da Nicarágua) e as coletâneas dos anos 60 e 70.

O jornalista também seleciona música japonesa em sua trilha. "A Boris é um estilo pós-alternativo, barulhento, guitarrístico-psicodélico-experimental que indico".

Da atual safra de rock americano, se sobressai, para Massari, a Gram Rabbit, banda californiana, que é um "folk-psicodélico, com letras estranhas", diz.

Brasil

As viagens discográficas de Fábio não se resumem apenas a destinos "bizarros" ou pouco visitados. Ele compareceu a mais de dez edições do festival Abril Pro Rock, no Recife, e diz que certamente os sons da manguetown já o acompanharam por muitas viagens mundo afora. "Convivi muito com Chico Science e Nação Zumbi, a Eddie, os Devotos do Ódio, Faces do Subúrbio", diz.

Entre as novas bandas nacionais, destaca-se, para Massari, a Macaco Bong (MT), power trio (baixo, guitarra e bateria) que toca uma música surpreendente e impactante, mesclando rock progressivo, groove, jazz e hardcore, de forma bombástica e encorpada. O jornalista também recomenda o rock dos Superguides, de Porto Alegre (PA) e da Fóssil (CE).

No fim da entrevista, Massari revela uma surpresa do seu gosto musical: diz gostar bastante das obras antigas de Zé Ramalho. Jornalista viaja em busca de achados musicais; veja suas indicações