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Mauricio de Sousa

Desenhista cria trilha nostálgica com MPB e canções típicas

Da Redação

TV UOL

Pai da Turma da Mônica também gosta de ouvir músicas típicas dos locais que visita

A preferência musical do desenhista Mauricio de Sousa, criador dos quadrinhos da Turma da Mônica, se concentra em MPB, especialmente nas canções com elementos melancólicos, que contam histórias de dramas sociais.

"Gosto muito de Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elis Regina", diz. Uma de suas músicas favoritas é "Domingo no Parque". "Aquilo é uma ópera. Além da melodia, existe a criação. Gil é um arquiteto do som, do ritmo. A história da música é linda, apesar de ser trágica", explica. A letra é sobre a luta diária contra a morte, travada entre os personagens João (o rei da confusão) e José (o rei da brincadeira) em ritmo de capoeira.

Outra preferência do desenhista é "Construção", de Chico Buarque. "Das canções políticas dele eu não gosto muito. Prefiro o lado romântico e trovador. 'Geni e o Zepelin' também é bem dramática. Como sou roteirista, vou atrás da história, da poesia", afirma. "Construção" fala da triste realidade dos trabalhadores brasileiros, pequenos diante das grandes estruturas de poder. "Geni e o Zepelin" é sobre a exclusão social das prostitutas.

Ao pensar na trilha que montaria para ouvir numa viagem, Sousa conta que admira músicas com conteúdo e faz uma crítica à música popular brasileira produzida atualmente. "Está faltando isso. E aí acho que é uma culpa mais dos editores do que dos autores", analisa.

E quando se fala em conteúdo, não pode ficar de fora "O Bêbado e a Equilibrista", composta por João Bosco e Aldir Blanc e interpretada por Elis Regina. A canção retrata a angústia de parentes de brasileiros perseguidos pela ditadura militar. Entre os personagens citados, está o irmão do cartunista Henfil, o sociólogo Betinho.

Quando viaja, Mauricio também seleciona músicas locais para ouvir. "As canções emolduram o lugar que estou vendo. Se vou à Alemanha, escuto as marchinhas. No Japão, a música japonesa. De preferência uma canção que marca o país, uma música eterna. Quando viajei aos sul dos Estados Unidos, por exemplo, procurei ouvir só jazz. Não conheço muito os grandes mestres, apenas ponho a música e sinto. Cada vez que escuto música, revivo a viagem. A próxima será para os países árabes. Vou pesquisar para compor novos personagens árabes", revela o cartunista.
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