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31/08/2009 - 11h34

Voos China-Taiwan devem ter reflexos negativos em Macau

Macau, China, 31 ago (Lusa) - O início das ligações aéreas regulares e diretas entre oito destinos de Taiwan e 27 do continente chinês vão ter um "impacto significativo" sobre o mercado de Macau, disse à Agência Lusa fonte da Autoridade de Aviação Civil do território.

Dezesseis companhias aéreas da China e Taiwan iniciam nesta segunda-feira 270 voos semanais diretos entre os dois lados do Estreito, interrompidas desde o final da guerra civil chinesa em 1949, deixando de ser necessária - como era até dezembro - a passagem por um terceiro território, normalmente Macau ou Hong Kong.

À Lusa, fonte da Autoridade de Aviação Civil de Macau prevê que o início das ligações regulares irá, a curto ou médio prazo, "ter um impacto significativo no negócio das companhias aéreas de Macau".

"O número de passageiros provenientes de Taiwan a utilizar o aeroporto de Macau deverá cair, embora se registre uma queda anual do número de passageiros em trânsito", defendeu a fonte.

Até julho, os passageiros em trânsito no Aeroporto de Macau - utilizado por 2,4 milhões de passageiros, 43,9% proveniente de Taiwan - representaram apenas 15,6% do total face ao peso de 25,8% que registravam em 2008 ou aos 51,5% verificados em 2001, indicam os dados da Autoridade de Aviação Civil.

Esta situação é explicada com a entrada das low-cost no mercado, em 2003, e com a diversificação de rotas, defendeu fonte do organismo.

"Já esperávamos o início das ligações aéreas entre Taiwan e o continente há muito tempo, por isso o governo tem vindo a encorajar as companhias a diversificarem os seus mercados para se reduzir a dependência face a Taiwan", sustentou.

Ao considerar prematura qualquer previsão sobre o impacto das ligações diretas regulares entre Taiwan e a China, fonte da Air Macau explicou à Lusa que "desde 2005 que a companhia decidiu apostar na redução dos passageiros em trânsito ao investir na promoção de Macau como destino turístico para captar mais turistas de outras origens além de Taiwan".

"Desde 2008 que os resultados são mais visíveis, podemos afirmar que hoje Macau é um destino mais forte e temos cada vez mais passageiros a ficar na região, especialmente do continente chinês", disse a mesma fonte, acrescentando que não há, para já, planos para encerrar a rota Macau-Taiwan.

À Lusa, um especialista do setor explicou que "foi em 2008 que o mercado de Macau sofreu o maior impacto dos voos diretos entre os dois lados do Estreito, sendo que as ligações regulares vão contribuir para o aumento das perdas para o aeroporto" da região administrativa especial.

A previsão do mesmo especialista aponta para uma queda mensal no movimento de passageiros do Aeroporto Internacional de Macau entre 6% e 10% até o final do ano.

Os voos entre a China e Taiwan tiveram início em 2003 em regime charter, tendo sido reforçados para ligações aos finais de semana em julho de 2008 e, consequentemente, para charters diários em dezembro.

A realização de voos diretos e o reforço dos laços de cooperação entre os dois lados do Estreito da Formosa foi uma das bandeiras da campanha de Ma Ying-jeou, atual presidente de Taiwan, que aposta num Tratado de Paz com a China e na aproximação econômica para melhorar as relações bilaterais e revitalizar a economia de Taiwan.

Taiwan decidiu não comemorar o arranque das ligações aéreas regulares com o continente chinês, devido à crise provocada pelo furacão Morakot, que fez cerca de 700 vítimas, e a China cancelou as celebrações em seis aeroportos do país como forma de protesto à visita do líder espiritual tibetano a Taiwan.

O governo chinês defende a "reunificação pacífica", segundo a mesma fórmula adoptada para Hong Kong e Macau ("um país, dois sistemas"), mas ameaça "usar a força" se a ilha declarar a independência.

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