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02/07/2009 - 19h47

Após gesto ofensivo, ministro luso da Economia deixa cargo

Lisboa, 2 jul (Lusa) - O ministro português da Economia, Manuel Pinho, dirigiu nesta quinta-feira um gesto considerado como insulto ao líder da bancada parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), Bernardino Soares, que obrigou a um pedido de desculpas pelo Governo luso.

Após o incidente, Manuel Pinho solicitou demissão do cargo. O pedido foi aceito pelo primeiro-ministro luso, José Sócrates, que anunciou em seguida que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, vai acumular também a pasta da Economia.

O gesto que provocou a demissão do ministro foi feito durante uma sessão da Assembleia da República (Parlamento luso), em que Manuel Pinho encostou os dois dedos indicadores próximos ao rosto, simulando chifres, no meio de uma intervenção do líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, que falava sobre os trabalhadores das minas de Aljustrel, no Alentejo.

Durante o debate entre o primeiro-ministro e Louçã, Bernardino Soares disse, numa interpelação, que Manuel Pinho esteve naquele lugar "a passar um cheque" à equipe de futebol, como explicou mais tarde aos jornalistas.

"O ministro disse: Tu estás tramado, disse mais qualquer coisa que eu não percebi e fez aquele gesto", explicou aos jornalistas Bernardino Soares, momentos depois do incidente.

O gesto causou imediatamente grande agitação nas bancadas do PCP e do Bloco de Esquerda.

Primeiro-ministro

Em entrevista aos jornalistas, o primeiro-ministro José Sócrates considerou que o gesto foi fatal a Manuel Pinho enquanto ministro, mas se tratou de um "episódio" redimido imediatamente pelo Governo, tirando as devidas "consequências políticas".

"Foi um golpe fatal para o senhor ministro da Economia. Preferia que isto não tivesse acontecido, mas isto foi apenas um episódio, que não devia ter acontecido, que afeta a imagem do Governo na sua relação com o Parlamento e que foi corrigido", declarou Sócrates.

O premiê fez depois questão de salientar que o próprio ministro da Economia decidiu pedir a demissão na sequência do incidente. A situação foi "corrigida com um gesto de desprendimento e dignidade do senhor ministro da Economia".

"Agradeço publicamente o fato de [Manual Pinho] ter compreendido que aquele gesto não deveria ter acontecido e obrigou o Governo a pedir desculpa ao Parlamento. Tenho a certeza que o senhor ministro está arrependido e que lamenta o que aconteceu. Mas estou convencido que este gesto é redimido tirando as consequências políticas".

Ainda comentando o desfecho de Manuel Pinho enquanto ministro da Economia, Sócrates afirmou que "muitas vezes a política é uma atividade da maior crueldade".

"O ministro da Economia deu o seu melhor estes quatro anos ao serviço do país e, em particular, em relação às minas de Aljustrel. Sei bem do empenho que ele teve para que uma empresa comprasse as minas, para que não fossem à falência. Sei bem o que custa ouvir críticas injustas como ele ouviu aqui no Parlamento", declarou José Sócrates, numa alusão ao assunto que esteve na origem do incidente entre Manuel Pinho e o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, a quem o ministro da Economia dirigiu o seu gesto considerado ofensivo.

Contatado pela Agência Lusa, Manuel Pinho não quis dar mais informações sobre o episódio, afirmando apenas que "não vai comentar nada de nada".

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