23/06/2009 - 12h18
Praia de Faro torna-se meca do kitesurf e atrai estrangeiros
Por Marta Duarte, da Agência Lusa
Faro, 23 jun (Lusa) - A Praia de Faro está tornando-se uma verdadeira meca do "kitesurf" e nos dias de vento enche-se de portugueses e estrangeiros que salpicam a paisagem com velas que servem de tração às pranchas.
Situada na Ria Formosa, a Praia de Faro tem as condições ideais para a prática da modalidade, como o vento constante, as temperaturas amenas e a pouca profundidade da água, dizem os amantes de "kitesurf".
Apesar de não ser ainda reconhecido oficialmente como um esporte, as escolas e o número de praticantes desta modalidade que mistura vela, parapente, "wakeboard" e "windsurf", explodiram nos últimos anos.
Em Faro, da escola "4Kiters", que funciona em articulação com a "South Store", saem anualmente 100 "kitesurfers", sendo que cerca de 70% dos alunos são estrangeiros, entre ingleses, noruegueses ou alemães.
Como surgiu o kitesurf
O "kitesurf" é uma modalidade em que se usa uma prancha que está ligada a uma espécie de pipa, pilotado pelo praticante através de uma barra e que serve de impulso para, com a força do vento, fazer a prancha deslizar.
Com o surf praticamente reduzido aos meses de inverno, quando as ondas são maiores, o "kitesurf" começou a ganhar espaço na Praia de Faro, local de eleição para praticantes de todo o país e também da Espanha.
Sempre que o vento o permite, a "4Kiters" - que também organiza "kite trips" (viagens) -, leva os aprendizes de barco para a ponta Leste da Praia de Faro (Barrinha), onde os ensinam - em terra e na água -, a arte do "kite".
O grande "boom" deu-se há cerca de dois anos e se inicialmente - no fim da década de 90 - havia pouco mais de uma dezena de "kitesurfers" locais a deslizar nas ondas da Praia de Faro, hoje são cerca de uma centena.
Para não falar dos amantes de "kite" que chegam àquela praia vindos de vários pontos do país e também da Espanha, sobretudo da Andaluzia, propositadamente para usufruir das boas condições que a zona oferece.
Dificuldades
Segundo João Ataíde e Sofia Teles, instrutores da escola "4Kiters", a falta de regras e o vazio legal relativo à modalidade tornam "difícil" a conciliação de interesses entre banhistas, navegadores e "kitesurfers".
"É uma atividade que se fosse regulamentada teria um potencial gigante para o turismo", afirma Sofia Teles, frisando que a vinda de turistas para o "kite" poderia ajudar a esbater a sazonalidade típica do Algarve.
A Praia de Faro é mesmo considerada um dos melhores "spots" no país para fazer "kitesurf", esporte que pode tornar-se perigoso se alguns riscos não forem minimizados, já que se pode atingir uma velocidade considerável.
"Acho que o grande atrativo deste esporte é mesmo a velocidade que se consegue alcançar e a adrenalina de ser puxado", diz José Carlos, de 44 anos, que já fez um pouco de tudo no mudo dos esportes aquáticos.
Habituado aos conflitos que às vezes ocorrem, José Carlos defende a colocação de sinalização adequada e que no pico de verão os praticantes se desloquem para a parte Sul da Barrinha, menos povoada pelos turistas.
Já Nuno Leonardo, de 34 anos, é praticante de "kite" há três anos e diz que a maior parte das pessoas não tem noção da potência do "brinquedo" que têm em mãos e por isso defende a delimitação de zonas para banhistas e outras para os esportistas.