21/06/2009 - 10h24
Em Portugal, crise deve afetar emprego temporário no turismo
Lisboa, 21 jun (Lusa) - Em ano de crise, o emprego temporário ligado ao setor turístico e de restaurantes deverá sofrer uma quebra este verão em funão da diminuição do número de turistas e da contração do consumo.
O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), José Carlos Pinto Coelho, antecipa um verão bastante duro para o setor, em especial na área de restaurantes.
Por esta razão, assinalou, os empresários demonstram neste momento ter receio em contratar.
"Está tudo bastante aflito e o pior vai ser a seguir ao verão, quando se perceber que os meses tradicionalmente altos não foram suficientes para compensar as quebras sofridas ao longo do ano", disse.
Para contrariar a crise na atividade dos restaurantes, a CTP tem defendido que o IVA no setor deveria ser reduzido para 5%, à semelhança do que aconteceu na França.
Hotéis
No hotelaria, as reservas começam já a dar sinais de melhoria, mas estão ainda "muito aquém do habitual".
Porém, Coelho disse acreditar que este ano as reservas de última hora vão ter um peso importante no setor.
Reconhecendo a importância do turismo na criação de emprego durante os meses de verão, Francisco Figueiredo, da Federação dos Sindicatos de Hotelaria e Restauração, alerta que muito desse trabalho pode ser "ilegal" ou "não declarado".
"Com o aproximar da época balnear, a nossa preocupação tem a ver com o trabalho precário, ilegal e clandestino no setor de restaurantes", afirmou o sindicalista, apontando que em hotéis este problema é menos acentuado.
De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), no final de março, o setor gerava 307,8 mil empregados - menos 0,5% do que no mesmo período do ano passado e menos 5,1% do que no trimestre anterior. Isso representa 6% da população empregada em Portugal.
Peso
Em declarações à Agência Lusa, o presidente da Associação das Empresas de Trabalho Temporário (APESPE), Marcelino Pena Costa, explicou que o peso do setor do turismo no conjunto do trabalho temporário "tem crescido gradualmente nos últimos anos a um ritmo médio de 12 por cento em relação ao ano anterior".
"Este ano, o peso tem vindo a diminuir e não há sinais de crescimento, mas sim de desaceleração, especialmente no Algarve, onde as quebras deverão ser superiores ao crescimento registado o ano passado", acrescentou.
Segundo os dados da APESPE, as profissões mais solicitadas pelos associados têm sido cozinheiros, empregadas de quarto, copeiros, empregados de mesa, barmen e recepcionistas.