02/06/2009 - 09h19
Especialistas pedem plano para turismo religioso em Portugal
Lisboa, 2 jun (Lusa) - A inexistência de um plano estratégico específico para o turismo religioso, apesar de representar cerca de 10% dos fluxos turísticos em Portugal, é a principal crítica de especialistas do setor.
O fato de o turismo com destinos religiosos estar integrado numa categoria denominada de turismo cultural (ou touring cultural) impede que haja estatísticas fidedignas sobre o número de visitantes, quer portugueses, quer estrangeiros, havendo apenas dados recolhidos pelo Santuário de Fátima, o principal pólo turístico religioso em Portugal.
"Do ponto de vista estratégico, é muito mais interessante encarar o turismo religioso por si, do que enquadrado no turismo cultural", disse à Agência Lusa Varico Pereira, da Turel, uma cooperativa que envolve locais turísticos religiosos, autarquias, dioceses, irmandades e confrarias e que pretende gerir e melhorar a qualidade dos fluxos turísticos nesta área.
"Apesar de tudo, foi considerada a importância deste tipo de turismo ao ser criado um pólo de desenvolvimento turístico Leiria-Fátima, mas no resto do país os destinos religiosos estão integrados no turismo cultural, conhecido por touring cultural. Teríamos mais a ganhar se houvesse um projecto estratégico específico para o turismo religioso", frisou.
Varico Pereira acrescentou que o turismo religioso é um dos setores que tem tido maior crescimento sustentado nos últimos anos, graças, entre outros, ao aumento do número de convenções, congressos e simpósios relacionados com a temática religiosa.
Graça Santos, professora do Instituto Politécnico de Leiria, pesquisadora e uma das organizadoras do 2° Congresso Ibero-Americano de Destinos Religiosos/V Congresso Internacional de Cidades-Santuário, que se inicia quinta-feira em Fátima, defende a reformulação do Plano Estratégico de Turismo, que vigora até 2015, para acolher um 11º pólo de desenvolvimento: o turismo religioso.
O não reconhecimento do turismo religioso é, na sua opinião, fruto de "um enorme preconceito do governo", considerando que essa falha é tanto mais grave quanto um dos pólos de desenvolvimento é o de Leiria-Fátima.
"Sem um projeto específico de turismo religioso, este pólo deixa de ter substrato", comentou, esperando que o congresso, ao dar a conhecer este sector de atividade, faça desaparecer a ideia de que o turismo religioso tem pouca importância.
Na origem do preconceito poderá estar, além da falta de informação e conhecimento, a confusão entre peregrinos e turistas religiosos.
O peregrino, recordou Graça Santos, é uma pessoa que se desloca a um determinado local apenas com uma motivação religiosa, enquanto o turista religioso alia essa motivação a outras, como culturais, gastronômicas, de lazer, etc.
"Hoje em dia cerca de 50% dos visitantes de Fátima são peregrinos, mas há entre 20% a 30% de visitantes que podem ser considerados como turistas religiosos. Este público não pode ser desprezado, até porque, ainda por cima, está em crescimento. Terá de haver um acolhimento específico e um tratamento específico para ele", acentuou.
A Lusa pediu uma reação ao secretário de Estado do Turismo a estas críticas, mas Bernardo Trindade remeteu uma resposta para a intervenção que vai fazer no próprio congresso.