20/11/2009 - 09h20
Paes quer Rio como ponto de referência social e cultural depois de 2016
Marta Hurtado
Lausanne (Suíça), 20 nov (EFE).- O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, deseja que, após os Jogos Olímpicos de 2016, a cidade seja um ponto de referência mundial e que os turistas não a visitem apenas por suas belezas naturais, mas também por seu atrativos sociais e culturais.
"Eu quero que aconteça no Rio o mesmo que em Barcelona, que se transforme totalmente e entre nas listas de lugares que é preciso visitar no mundo", afirmou Paes.
"Quero deixar claro qual é a mudança que desejo: o Rio já está na rota turística mundial, mas eu quero que seja como foi com Barcelona, que depois dos Jogos (de 1992) se tornou uma cidade moderna, sofisticada, progressista, com glamour", disse o prefeito.
Paes concedeu uma entrevista à Agência Efe no Museu Olímpico, palco da Cúpula de Lausanne 2009, encontro no qual cidades olímpicas e municípios que desejam sê-lo dividem ideias e experiências sobre a organização de Jogos Olímpicos.
"Maragall (Pasqual Maragall, prefeito de Barcelona durante os Jogos Olímpicos de 1992) me disse uma coisa: há Jogos que se servem das cidades, e cidades que se servem dos Jogos. O Rio quer aproveitar as Olimpíadas para transformar a cidade", sentenciou Paes.
Desde que o Rio foi escolhido como a sede dos Jogos de 2016, Paes não teve descanso. Visitou Barcelona (sede em 1992), Atenas (2004) e Londres (2012), recebeu uma delegação do Comitê Olímpico Internacional (COI) para começar a discutir da preparação do evento, e viajou para Lausanne para aprender de experiências passadas e expor os planos futuros da Cidade Maravilhosa.
"Londres é uma cidade desenvolvida e as obras estarão muito concentradas; com isso, não nos serve de exemplo. Em Atenas, muitas obras foram feitas, e não digo que não serviram, mas não transformaram a cidade. Sem ofensa, Atenas continua sendo visitada para ir às ilhas, não por si mesma, como Barcelona", opinou.
Apesar de as obras efetivas no Rio ainda estarem por começar, Paes apontou a renovação da zona portuária ao redor da Praça Mauá e a criação de faixas exclusivas para ônibus como as primeiras ações a desenvolver.
Para justificar essa decisão, usou novamente o exemplo de Barcelona.
"Como em Barcelona, queremos renovar zonas degradadas do porto, transformá-las e abri-las à cidade, recuperar e dignificar espaços", explicou.
O prefeito do Rio explicou que o objetivo é construir 70 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus, sendo que o primeiros trechos ligariam a Barra da Tijuca, na zona oeste carioca, com a zona norte, além de conectar a Barra - onde ficará a maior parte das instalações olímpicas - ao restante da zona oeste.
Ao falar sobre a constante violência no Rio, Paes destacou que seu interesse "não é deixar de ter violência durante os Jogos, mas antes e depois. Por isso, começamos um trabalho de longa duração, com intervenções das UPP (Unidades de Polícia Pacificadora), que serão inseridas nas comunidades".
Questionado sobre os supostos atritos com o COI pela rejeição a uma oferta de modificação do projeto inicial de obras, Paes negou que tivesse havido tal repúdio e disse que estão sendo discutidas "possibilidades, porque nós queremos ter flexibilidade para poder fazer obras onde achamos que vão beneficiar mais no futuro".
Paes ainda confirmou que o Rio pode se candidatar a receber a Exposição Universal de 2020 e disse que a cidade tem as qualidades para abrigar um evento desse porte.