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Formações rochosas e pinturas rupestres instigam a imaginação dos visitantes do Parque Nacional Sete Cidades

DÉBORA COSTA E SILVA

Enviada especial à Piracuruca, no Piauí *

05/05/2011 22h35

Quem tem facilidade para enxergar o formato de rostos, animais e objetos em nuvens vai achar moleza os desafios lançados pelo guia Osiel Monteiro, um dos profissionais que acompanham os turistas no percurso pelo Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí. A cada parada em frente a uma formação rochosa, ele questiona: “o que vocês veem nessa rocha?”. E então é dada a largada para a sessão de palpites, brincadeiras e imaginação dos visitantes.

Parece uma gracinha qualquer, mas na verdade foi assim que foram nomeados os monumentos do parque: quando especialistas, historiadores, turistas e moradores da região identificavam semelhanças entre os formatos das rochas com alguma coisa. Daí a brincadeira virou tradição para quem visita o local.

Apesar de o parque ter sido fundado em 1961, a história das formações geológicas do lugar começou há muito tempo. Mais precisamente há 190 milhões de anos, quando as rochas, em sua maioria de arenito, foram passando por um processo de sedimentação, tendo o vento e a chuva como escultores de seus formatos atuais.

Administrado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), o parque tem uma área de 6.221 hectares. Dentro desse território localizado entre os municípios de Piracuruca e Brasileira (a cerca de 217 km de Teresina) está um conjunto de monumentos geológicos, que foi dividido em sete partes conhecidas como as “Sete Cidades de Pedra”.

Depois de pedir para os turistas arriscarem um nome para cada monumento, os guias revelam qual é o mais conhecido, provocando novas sensações nos visitantes e fazendo com que apurem o olhar a cada parada de observação. Entre os títulos mais curiosos estão a “Cabeça de Dom Pedro I”, “A Biblioteca”, “A Cobra”, “A Tartaruga”, “Cabeça de Índio” e “O Mapa do Brasil”.

No entanto, mesmo com sete "cidades" ricas em formatos e histórias, há uma atração tão interessante ou mais que todos esses monumentos: os paredões com pinturas rupestres. Elas foram feitas há cerca de 6 mil anos e possivelmente retratam rituais de caça e símbolo religiosos dos indivíduos que viveram na região – uns defendem que eram fenícios, outros vikings.

A grandeza e a riqueza de detalhes de cada afloramento rochoso impressionam – seja pela beleza ou por causar estranhamento.  E para ter uma noção mais completa da dimensão dos monumentos, nada mais impactante do que observar o parque inteiro do alto do mirante da Segunda Cidade, a 50 metros do solo.

Como se não bastasse todo o visual enigmático do parque, há ainda piscinas naturais pelo percurso e a Cachoeira do Riachão, onde os visitantes podem se refrescar após a longa caminhada. Próxima à Primeira Cidade, a altura de sua primeira queda é de 16,4 metros e 7,2 metros na segunda.

O passeio pelo local pode ser feito de carro, ônibus, moto, bicicleta ou mesmo a pé. O percurso completo é feito em oito horas, mas há a possibilidade de combinar uma visita mais enxuta - em todas elas, é imprescindível o acompanhamento de um guia. Há lugares que só se tem acesso por uma trilha, então vá de tênis e use roupas confortáveis para a caminhada.

Como chegar

Seguindo pela BR-343, em Piripiri, existe uma bifurcação com a BR-222, que leva a Tianguá e Fortaleza, no Ceará. Deve-se seguir mais 10km a partir de Petecas pela BR-222, deve-se entrar à esquerda na PI-111. Depois percorra mais 10km até a entrada do Parque. Saindo de Piracuruca, são 18km de percurso pela PI-111 até o portão do parque e mais 5km até a administração.

Serviço

Tel: (86) 3223-3366 / 2423
Horário de funcionamento: Das 8h às 17h, todos os dias, entrada paga.
www.hotelsetecidades.com.br

* A jornalista viajou a convite do SEBRAE-PI