Para alguns, a Barra da Tijuca é o bairro novo mais badalado do Rio de Janeiro, abençoado com belas formações rochosas e uma praia coberta com alguns dos corpos mais sensuais do planeta. Para outros, é uma versão brasileira do pior de Miami, cheia de congestionamentos e shopping centers de mau gosto.
De qualquer forma, este posto avançado próspero de grandes complexos de escritórios e prédios de apartamentos de cor pastel, a 16 quilômetros a oeste da praia de Copacabana, está despontando como o mais recente playground dos novos ricos badalados do Rio. O principal point na Barra da Tijuca é a praia do Pepê, um trecho fino de areia branca, considerada por muitos a melhor praia do Rio, com água limpa, grandes ondas e ventos bons para os surfistas.
Não vá à Barra, como todo mundo chama a área, esperando encontrar os aspectos mais requintados da cultura brasileira - ela trata puramente da vida praiana brasileira (como se para impressionar os dirigentes que concederam ao Rio os Jogos Olímpicos de 2016 - os escritórios deles ficam nas proximidades - equipamentos de musculação e ciclovias margeiam a praia, assim como várias academias do tamanho de fábricas). Mas olhando mais atentamente, você descobrirá que alguns dos mais famosos donos de restaurantes do Rio estão abrindo filiais em shoppings como o Barra Shopping.
"Todos os nossos clientes estão vindo para cá", disse Julia Morales, a responsável pelas relações públicas do Salitre (Avenida das Américas, 4666, loja 145; 21-2408-3239), um elegante restaurante que abriu uma filial no Barra Shopping em abril. "Agora é o novo centro."
Após um dia na praia do Pepê, tome um táxi até o Antiquarius Grill (Avenida das Américas, 4666, loja 160; 21-3410-9900;
www.antiquariusgrill.com.br), um espaço amplo e elegante que é um dos melhores de cozinha portuguesa no Rio. Diferente de sua matriz no Leblon, o cardápio acrescenta algo mais às opções habituais. Experimente o cabrito assado ao molho de vinho tinto (R$ 75).
Ou atravesse a praça com fonte até o Zuka (Avenida das Américas, 4666, loja 147; 21-2512-8545;
www.zuka.com.br) e assista aos chefs servirem pratos mais contemporâneos, como espetinhos de camarão, filé, polvo (R$ 58).
Mais ao leste, uma filial do Porcão (Avenida Armando Lombardi, 591; 21-3389-8989;
www.porcao.com.br), uma churrascaria popular, apesar de kitsch, oferece abundância de carne. Apesar de sua decoração genérica não competir com o charme à beira-mar do Porcão original, no Flamengo, é divertido assistir os garçons cortarem as fatias de carne tenra (o rodízio custa R$ 60) enquanto tentam explicar de qual parte da vaca vem a carne (um gráfico ajuda).
A vida noturna na Barra parece mais Miami do que a própria Miami, com música techno pulsante emanando dos clubes que pontilham a avenida principal.
Em vez de esperar ao lado do público bonito do Rio para entrar na boate mais badalada da Barra, o Nuth (Avenida Armando Lombardi, 999; 21-3153-8595;
www.nuth.com.br), desça uma quadra até o recém-aberto Taj Lounge (Avenida Armando Lombardi, 949; 21-2494-6456;
www.tajlounge.com.br). Lá, uma clientela bonita, mas ligeiramente mais velha, se espreme sob uma estátua de bronze de um Buda. Se você quiser mais decadência, gaste R$ 2 mil para reservar um lounge VIP no andar de cima.
"Há 15 anos não havia nada aqui", disse Hugo Medina, o proprietário do Taj, sobre a Barra. "Agora está melhorando. Olhe ao seu redor: nós estamos recebendo um público mais sofisticado."
Tradução: George El Khouri Andolfato