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04/06/2008 - 20h44

Um pouco da história dos santos juninos e das tradições das festas

Colaboração para o UOL, de Salvador

Divulgação

Santos homenageados no Centro de Cultura e Arte do Nordeste, em Campina Grande

Santos homenageados no Centro de Cultura e Arte do Nordeste, em Campina Grande

  • LeiaFESTAS JUNINAS MOVIMENTAM O NE
  • Santo Antonio, considerado o 'Santo Casamenteiro', é o primeiro homenageado do mês com suas trezenas (13 noites de reza, de 1º a 13 de junho). O ritual é realizado paralelamente em inúmeras casas e igrejas pelos devotos.

    Segundo uma antiga lenda, o santo português -que teria nascido em 1195 e morrido em 13 de junho de 1231- ajuda as mulheres e homens que estão "condenados" a ficar solteiros a realizar os tão sonhados casamentos.

    A tradição de rezar para Antonio é passada de pai para filho ou de mãe para filha. Em cidades como Salvador, o hábito de reverenciar o santo casamenteiro que carrega nos braços o Menino Jesus ainda está presente em alguns lares. Mas no interior dos Estados do Nordeste, ainda a maioria dos católicos preserva esse costume.

    Os devotos que perdem a paciência acrescentam algumas simpatias ao hábito de rezar por 13 noites. A principal delas é colocar a imagem de Santo Antonio de ponta-cabeça, mergulhada em um recipiente com água, até o dia do casamento.

    O segundo e principal santo católico reverenciado pelos nordestinos é São João, cuja data, 24 de junho, é feriado regional. Além das celebrações católicas, a data é comemorada a partir da noite do dia 23 com muitas festas animadas, com fogueira, fogos de artifício e forró e regadas a bebidas e comidas típicas, como bolos, doces, licores, milho (cozido e assado na fogueira), canjica e quentão.

    Segundo historiadores, a tradição das festas juninas -que antes eram chamadas de joaninas- surgiu na Europa durante o século 14. No Brasil, de acordo com o antropólogo Roberto Albergaria, os costumes de homenagear os santos do mês de junho foram trazidos pelos portugueses e readaptados com a inserção de valores de negros e indígenas, como o boi-bumbá, a utilização da mandioca para a composição de pratos típicos e algumas danças.

    A tradição das fogueiras também foi trazida do continente europeu e representava o aviso a Maria do nascimento de João, filho de sua prima Isabel. Os fogos de artifício, por sua vez, representam para alguns o despertar de João. Em Portugal, o uso das bombas e rojões serve para espantar os maus espíritos.

    Não menos popular que São João e Santo Antonio, São Pedro é o último a receber as homenagens durante o mês de junho. Homenageado no dia 29, o principal apóstolo de Jesus Cristo é fiel depositário de todas as esperanças de chuva dos nordestinos.

    Segundo a tradição, é obrigação dos viúvos e das viúvas acender uma fogueira na porta de casa durante a noite do dia 29. O dia de São Pedro também representa o fim do principal período festivo dos municípios do interior do Nordeste. (GABRIEL CARVALHO)

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