UOL Viagem

19/05/2008 - 18h55

NY Times: Vila Madalena, uma rara área para caminhar e fazer compras em São Paulo

SETH KUGEL
New York Times Syndicate

Lalo de Almeida/NYT

A nova loja do estilista Ronaldo Fraga na Vila Madalena, em São Paulo

A nova loja do estilista Ronaldo Fraga na Vila Madalena, em São Paulo

Em grande parte de São Paulo, fazer compras vendo as vitrines nas ruas não é prático: a cidade de concreto é vasta demais para caminhar pelas calçadas. Em vez disso, os moradores com poder aquisitivo para produtos de luxo vão de carro aos shopping centers.

Mas há uma nova exceção: a Vila Madalena, um bairro com ladeiras íngremes na zona oeste. Há muito conhecida como ponto de encontro de estudantes por causa de sua cerveja barata e boates de samba, a Vila Madalena está vendo um afluxo de butiques peculiares, que está transformando este centro da vida noturna em uma galeria de compras boa para pedestres.

As autoridades municipais notaram e estão considerando um plano para alargar algumas calçadas, instalar bancos de rua e transformar vários quarteirões em ruas de mão única.

Um bom lugar para começar a explorar a Vila Madalena é ao longo das ruas Wisard e Aspicuelta, entre a Harmonia e Mourato Coelho. É possível se deparar com lojas da moda como a Maria Simone (rua Wisard, 287; 11-3815-5392), aberta há um ano e que vende camisetas e bolsas com imagens bonitinhas de cães e gatos bordadas por senhoras idosas.

Ao lado fica a Mumps (rua Wisard, 285; 11-3031-7057; www.usemumps.com), que vende sua própria linha de camisetas com estampas inspiradas em filmes e outras referências da cultura pop.

"A Vila Madalena é um bairro bastante livre", disse Tana Millan, a estilista por trás da Simultânea (rua Aspicuelta, 207; 11-3031-9408; www.simultanea.com.br), que vende vestidos de verão e outras roupas femininas. "Na Vila, tudo é possível. Não há modelo de negócios."

Em maio passado, o quarteirão de Millan recebeu aquele que é o maior astro fashion da área até o momento: Ronaldo Fraga (rua Aspicuelta, 259; 11-3816-2182; www.ronaldofraga.com.br). Fraga, cujas coleções são presença constante na São Paulo Fashion Week, é o tipo de estilista que geralmente abre loja no exclusivo bairro dos Jardins. Suas linhas (a maioria para mulheres) freqüentemente apresentam um toque brasileiro. Uma é dedicada à lenda da bossa nova, Nara Leão, até calçados (R$ 220) que lembram o Fusca conversível dela.

Do outro lado da rua fica a Refazenda (rua Aspicuelta, 188; 11-3816-5414; www.vivarefazenda.com.br), que vende vestidos, saias e bolsas artesanais sofisticados, mas alegres. Muitos são reversíveis: uma bolsa (R$ 260) pode adquirir um aspecto diurno florido ou um de tafetá verde-azulado para a noite.

Cafés da moda também chegaram. O Adelaide Café (rua Aspicuelta, 202; 11-3816-4790) tem um balcão gracioso com cadeiras de vime e serve refeições leves, como salada de queijo de cabra (R$ 19) e mini-hambúrgueres (seis por R$ 18), juntamente com Wi-Fi confiável.

E, descendo a rua, fica o Café Florinda (rua Aspicuelta, 181; 11-3814-1060), que tem um almoço a preço fixo (R$ 20,50) que inclui suco fresco de maracujá, salada e uma massa simples com molho de tomate.

A Vila Madalena também está se tornando um centro para lojas de produtos para o lar. Entre as mais novas está a Villa Nova (Rua Girassol, 283; 11-3031-4055; www.villanovatecidos.com.br), uma loja de tapetes e tecidos especializada em têxteis suntuosos como o jacquard de seda que custa mais de R$ 2.350 o metro.

"As pessoas que se identificam com a Vila Madalena são criadores", disse Nicea Bento Souza, a dona do Composição (rua Girassol, 228; 11-3032-5675; www.composicaome.com.br), que vende jóias, bolsas e calçados, alguns feitos de material reciclado. "A Vila Madalena ainda possui o verdadeiro caráter brasileiro."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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