Novo arranha-céu provoca polêmica em Londres

Londres

  • Miguel Medina/AFP

    Arranha-céu Shard em Londres, ainda em construção (25/04/2012)

    Arranha-céu Shard em Londres, ainda em construção (25/04/2012)

Doze anos após o lançamento do projeto, o Shard será inaugurado com grande festa na quinta-feira em Londres, coroado como o mais alto arranha-céu da Europa, mas esta gigantesca construção de 310 metros de altura que invade o céu da capital não tem apenas admiradores.

O momento escolhido não poderia ter sido melhor. O novo "ícone" da cidade, como chamam os seus promotores, está pronto a tempo para os Jogos Olímpicos, que se iniciam no final de julho em Londres, quando dois milhões de visitantes são esperados.

Sua silhueta esguia, seus 95 andares e seu observatório oferecem ao público uma vista panorâmica de 360°, que promete se tornar uma das atrações turísticas de Londres. "Assim como o Empire State Building em Nova York", prevê Irvine Sellar, presidente da Sellar Property, o desenvolvedor.

Sua inauguração está preparada na medida de sua ousadia, com um espetacular balé noturno de lasers e luzes sobre os principais monumentos históricos da capital e com a iluminação do arranha-céu mais alto do velho continente. A Orquestra Filarmônica de Londres também foi recrutada para as festividades.

Assinado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, autor do contestado Centro Pompidou em Paris, o Shard está localizado ao sul do Tâmisa, cujas margens foram submetidas a projetos de renovação em todas as direções.

Esta é uma "pequena cidade vertical" de 12.000 pessoas, segundo seu criador, com um hotel cinco estrelas, restaurantes de luxo, 600.000 metros quadrados de escritórios e lojas.

Mas quem desejar viver ali deverá ter uma conta bancária sólida, porque os dez apartamentos com uma vista deslumbrante localizados entre o 53º e 65º andares, os mais altos do mercado britânico, serão vendidos por entre 30 e 50 milhões de libras (43 e 62 milhões de euros), de acordo com os dados que circulam na imprensa.

O Shard é "uma metáfora perfeita da Londres de hoje", que "torna-se cada vez mais desigual e perigosamente dependente de investidores que buscam um lucro rápido", resumiu recentemente o The Guardian: "É caro, não conhece limites e está essencialmente nas mãos do capital estrangeiro".

A torre, que reflete o céu de Londres caprichosamente em suas facetas de vidro, começou a ser construído em 2009, crescendo como um cogumelo. Mas a gestação deste projeto de 450 milhões de libras tem sido lenta, principalmente diante da necessidade de ultrapassar a crise financeira.

O Qatar, proprietário de muitos edifícios de prestígio na capital, para não falar da famosa loja Harrods, finalmente chegou para resgatar a construção em 2009, tornando-se o acionista majoritário (95%). Seu primeiro-ministro, Hamad bin Jassim al-Thani, estará na festa de quinta-feira, juntamente com o príncipe Andrew.

O "Skyline" de Londres já possui muitos arranha-céus, como o Gherkin, e outros cinco estão em construção. O que vale à cidade uma reputação de ousadia arquitetônica em comparação com capitais como Paris, onde a altura é limitada.

Mas sua construção gerou protestos de defensores do patrimônio, incluindo a associação English Heritage, que o acusa de "estar no lugar errado" e de prejudicar a vista protegidas da Catedral de St. Paul ou do Parlamento.

Até mesmo a Unesco se envolveu, dizendo que a construção interferia na "integridade visual" da Torre de Londres, inscrita no Patrimônio Mundial.

Uma polêmica que o jornalista do Observer resumiu nestas palavras: O Shard "é elegante, está no lugar errado, é uma destas torres que o mundo inveja, é uma fortaleza para os mais ricos (...) é um ícone de Londres: na verdade, é um pouco de tudo de uma só vez".

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