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Cidades históricas de MG têm passado de riqueza e luta pela liberdade

Do UOL, em São Paulo

21/04/2016 15h20

Um passeio pelas cidades históricas de Minas Gerais têm em comum no roteiro riquezas - e não é só de ouro que estamos falando. Arquitetura colonial preservada, obras sacras e esculturas do aclamado Aleijadinho são atrações imperdíveis.

Foi nessa região também que surgiu a Inconfidência: movimento que lutava contra o domínio de Portugal e os altos impostos sobre o valioso minério, e que terminou com a morte de Tiradentes, trajetória mostrada pela novela "Liberdade, liberdade", da TV Globo.

Para conhecer o melhor que a região têm a oferecer, o UOL indica as atrações de cinco das cidades históricas mineiras: Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, Congonhas e Sabará.

Ouro Preto MG - Marcus Desimoni/UOL - Marcus Desimoni/UOL
Museu da Inconfidência, em Ouro Preto
Imagem: Marcus Desimoni/UOL

Ouro Preto

A cidade nasceu com o nome de Vila Rica e foi cenário da Inconfidência Mineira. Hoje, entre sua dezena de museus, o viajante pode conhecer as casas de Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manoel da Costa (famosos poetas e líderes da conjuração), além do Museu da Inconfidência, que guarda importantes testemunhos do episódio - como os restos mortais dos inconfidentes.
 
O passado mineiro da região ainda se faz presente em toda a cidade. Acredita-se que existam cerca de duas mil bocas de mina abertas dentro de Ouro Preto. Algumas delas, como a Mina do Chico Rei, estão abertas para os turistas, embora não esbanjem mais os minérios que fizeram a fama da região. 
 
Vale lembrar que as ruas que separam todas essas atrações são extremamente íngremes e que o visitante irá passar boa parte do dia subindo ou descendo ladeiras.
Mariana MG - Marcus Desimoni/UOL - Marcus Desimoni/UOL
Praça Minas Gerais, em Mariana
Imagem: Marcus Desimoni/UOL
 
Mariana
Vizinha a Ouro Preto e primeira cidade fundada em Minas Gerais, Mariana ganhou destaque no noticiário em 2015 com a tragédia causada pelo vazamento de lama tóxica da mineradora Samarco, em um dos distritos do município. Seu Centro Histórico, no entanto, não foi atingido e Mariana continua uma ótima opção de local para turismo, com casarões antigos e belas igrejas. 
 
Na Praça Minas Gerais, o visitante pode conhecer a Casa da Câmara - antiga cadeia, o pelourinho e as igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo.
 
Para sentir como era feita a extração do ouro mineiro, vale a visita guiada à Mina da Passagem, de onde saíram 35 toneladas do metal. A descida 120m abaixo da terra é feita no vagão antigo, que dá para uma câmara aberta e dezenas de túneis. As paredes têm o brilho da pirita, o famoso "ouro de tolo".
Tiradentes MG - Divulgação/Eugênio Sávio - Divulgação/Eugênio Sávio
Igreja matriz de Santo Antônio, em Tiradentes, Minas Gerais
Imagem: Divulgação/Eugênio Sávio
 
Tiradentes
Menos badalada do que Ouro Preto, mas tão charmosa quanto, Tiradentes foi fundada em 1702 pelo bandeirante João de Siqueira Afonso. Fica aos pés da serra de São José e tem um dos mais belos conjuntos arquitetônicos do país. Entre ruas e ladeiras de pedra iluminadas por lampiões, o visitante encontra sobrados coloridos, casarões do século 18 e pequenas igrejas barrocas. Tudo muito bem conservado e tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional).
 
Tiradentes foi palco de importantes debates do período da Inconfidência Mineira. É também a cidade natal de Joaquim José da Silva Xavier, o próprio Tiradentes, mártir e grande líder do movimento que acabou dando o nome do município.
 
Quem passa por Tiradentes não pode deixar de conhecer a Maria Fumaça, que percorre 12 km cheios de história que separam Tiradentes de São João Del Rei.  Já no centro histórico, um passeio pela rua Direita, a principal da cidade, não deixa dúvidas de que beleza é o que não falta por ali. Na região, ainda vale visitar o museu Padre Toledo e a igreja Nossa Senhora das Mercês. Saindo do centro histórico, a dica é subir a colina de Santo Antônio para conhecer a Matriz de Santo Antônio, uma das mais belas basílicas, com rica decoração na capela e uma bela vista da cidade do topo do morro.
Santuário Bom Jesus dos Matosinhos, em Congonhas do Campo, uma das cidades históricas de Minas Gerais   - Divulgação/Instituto Estrada Real - Divulgação/Instituto Estrada Real
Santuário Bom Jesus dos Matosinhos, em Congonhas
Imagem: Divulgação/Instituto Estrada Real
 
Congonhas
A obra máxima do escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, coloca a cidade no roteiro turístico histórico mineiro. É ele o autor das 78 esculturas barrocas que fazem do santuário de Bom Jesus de Matosinhos uma obra monumental.
 
O conjunto arquitetônico é composto pela Basílica de Bom Jesus de Matosinhos, onde figuram a céu aberto 12 esculturas em pedra sabão de profetas e seis capelas que marcam os passos da Via Sacra, com 66 esculturas em cedro. As obras datam do fim do século 18 e início do século 19.
 
Para leigos no assunto, absorver a riqueza dos detalhes e o significado da obra de Aleijadinho pode ser difícil sem ajuda. Mas os guias locais bem treinados são capazes de tornar a experiência de apreciar as belas esculturas mais interessante e completa. Os monitores ficam na região da basílica e podem ser contratados a qualquer momento. Embora ostente importantes obras históricas, Congonhas não tem muitas opções de hotéis e restaurantes, por isso, a visita de um dia é melhor pedida.
Sabara MG - Daniel Ribeiro/UOL - Daniel Ribeiro/UOL
Interior da igreja matriz de Sabará, em Minas Gerais, é repleto de ouro
Imagem: Daniel Ribeiro/UOL
 
Sabará
Embora bem menos conhecida que Ouro Preto, Tiradentes e Mariana, Sabará é a mais antiga das cidades históricas da Rota do Ouro no século 17 e a mais antiga vila a ser habitada na região.
 
Distante apenas 23km de Belo Horizonte, surgiu inicialmente como uma vila de bandeirantes. A descoberta do ouro possibilitou à então chamada Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabarabuçu se tornar um município em 1711, com a intervenção de Borba Gato. 
 
Na cidade ficava a Casa de Fundição, para onde todo o ouro extraído naquela região deveria ser levado. Ali o metal precioso era pesado e transformado em barras. Na mesma casa, era retido o ”quinto”: a parte do total do ouro pago como imposto a Portugal. Embora símbolo da dominação e abuso português no período colonial, a Casa de Fundição abriga hoje o Museu do Ouro, com importantes obras de arte sacra e peças da época.
 
COMO CHEGAR
Para quem vem de outros Estados, a melhor forma de acessar as cidades históricas é ir até Belo Horizonte de avião e de lá seguir com ônibus ou carro alugado. Para ir de São Paulo a passagem aérea custa a partir de R$ 250 e o trecho para quem sai do Rio de Janeiro, a partir de R$ 278, ambos ida e volta, na agência de viagens online ViajaNet.