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Tem estômago forte? Prepare-se para ver a caverna mais nojenta do mundo

Do UOL, em São Paulo

23/04/2015 17h39

Visitar Bornéu é o tipo de viagem que está na lista de sonhos de qualquer apaixonado por natureza. Terceira maior ilha do mundo, o destino abriga uma das florestas tropicais mais antigas, com 140 milhões de anos, e uma rica biodiversidade, incluindo diversas espécies endêmicas. Passear por esse paraíso natural, porém, requer cuidados, principalmente se for para evitar um passeio pelas cavernas Gomantong, com certeza um dos lugares mais nauseantes do mundo.

Localizado na parte malaia da ilha, o sistema de cavernas fica em meio às florestas de Sabah. Por lá é comum encontrar o habitante mais procurado da região: o orangotango de Bornéu. Mas são os habitantes de dentro da caverna que tornam tudo bem mais desagradável. E olha que nem estou me referindo ao andorinhão, espécie de pássaro comum na região, cujo ninho, feito com a saliva do pássaro, é considerado uma iguaria gastronômica asiática, com o qual se faz sopa.

Também não estou falando dos morcegos - embora esses mamíferos voadores assustem muita gente com sua fama de vampiro e aspecto asqueroso, eles são relativamente comuns em cavernas de todo o mundo. Tudo bem que por lá, o número é exagerado, com cerca de 2 milhões de morcegos que só deixam a caverna no início da noite para se alimentarem.

A coisa fica nojenta mesmo quando se observa o interior da caverna. No chão, uma camada de cerca de 4 metros de guano (excremento de morcego) é o menor dos problemas, já que foi construída uma passarela para poder visitar o interior da caverna sem ter que mergulhar em uma piscina de cocô animal. O cheiro promete revirar até o mais resistente dos estômagos.

Milhões de morcegos vivem empoleirados nas paredes da caverna de Gomantong, criando uma grossa camada de guano (fezes de morcego) no chão e um odor nauseante - Creative Commons/ Marcel Holyoak - Creative Commons/ Marcel Holyoak
Milhões de morcegos vivem empoleirados nas paredes da caverna de Gomantong
Imagem: Creative Commons/ Marcel Holyoak

Sobre a camada de guano, milhões e milhões de baratas vivem, se alimentam e multiplicam sem fim. Parece que o chão da caverna ganha vida devido ao intenso movimento das baratas, que não respeitam áreas destinadas aos turistas, dominando as passarelas, paredes da caverna, suas pernas, sobem pelo seu corpo...

Elas não estão sozinhas, já que centopeias, escaravelhos, caracóis e até caranguejos, dividem espaço com as baratas, todos se alimentando da fartura de guano despejado diariamente pelos morcegos. Com tantos pequenos insetos, alguns predadores aparecem para tentar minimizar a superpopulação. O problema é que esses predadores são ratos, deixando tudo ainda mais repulsivo.

Então lembre-se: Gomantong. Fique atento caso seu guia em Bornéu mencionar esse nome, ou suas férias podem enfrentar episódios bem desagradáveis.