"Turismo social" é jeito de conhecer o mundo fazendo boas ações

Marcel Vincenti
Do UOL, em São Paulo

Há três anos, o relações públicas Thiago Pereira, 30, largou um emprego estável em uma multinacional japonesa para fazer trabalho voluntário no interior de Moçambique, na costa leste da África. A vida paulistana, agitada e repleta de confortos, ficou totalmente para trás."Eu acordava no meu vilarejo africano e, às vezes, não tinha nem água para beber", relembra ele. "A infraestrutura do lugar era péssima, mas era exatamente esse choque de realidade que eu estava buscando".

  • Getty Images

    Carente de riquezas, mas repleta de atrativos culturais, a África é um dos lugares que mais atraem viajantes voluntários

Thiago conta que, em sua viagem, queria fazer uma "imersão total" na cultura da África. Seu programa de voluntariado durou 14 meses e, durante esse tempo, ele passou por um curso intensivo sobre o continente negro e, logo em seguida, começou a trabalhar em projetos de capacitação para comunidades rurais de Moçambique. "A cada mês, passávamos duas semanas desenvolvendo soluções que pudessem melhorar a vida nos vilarejos, como construção de cisternas e prevenção de doenças epidêmicas. Nas outras duas semanas, íamos a campo colocar essas ideias na prática, sempre em parceria com a população local", relata ele.

A experiência, segundo Thiago, foi árdua, mas edificante. "Peguei malária e não consegui levantar da cama por uma semana. Mas vi meu trabalho se refletir positivamente na vida de um monte de gente, e ainda pude viajar para lugares maravilhosos da África. Não trocaria essa experiência por nada", afirma.

Por uma boa causa

Unir turismo a causas sociais não é, atualmente, oportunidade para poucos. Hoje, no Brasil, há uma série de organizações que levam pessoas a países remotos do mundo para fazer trabalho social. A duração dos pacotes varia, em média, de duas semanas a um ano, e os empregos disponíveis são variados: o voluntário pode vir a trabalhar com crianças carentes na Índia, com a preservação do meio ambiente no Nepal ou até com elefantes órfãos na Namíbia.

  • Marcel Vincenti/UOL

    As crianças são o foco de muitos trabalhos sociais disponíveis na Índia

A experiência, como é de se esperar, não é gratuita: os pacotes vendidos no Brasil têm preço inicial médio de US$ 1.300 e geralmente incluem hospedagem (quase sempre na casa de uma família local), alimentação integral, treinamento e locomoção dentro do país de destino. Passagem de avião, seguro de saúde e gastos com vacina são pagos à parte.  

Para participar dos programas de voluntariado, os interessados devem ter pelo menos 18 anos, conhecimento intermediário de inglês e disposição para trabalhar em lugares com pouca (ou nenhuma) infraestrutura. Espírito de aventura, é lógico, também não pode faltar.

Abaixo, algumas opções de trabalho voluntário oferecidas por agências que operam no Brasil:

África do Sul: Voluntários que escolhem a África do Sul como destino podem ensinar crianças carentes a surfar, trabalhar em reservas naturais ao lado de grandes felinos ou ajudar uma organização que cuida de macacos doentes e machucados. Preço para quatro semanas de voluntariado: US$ 1340. www.experimento.com.br

  • Eduardo Vessoni/UOL

    Na África do Sul, é possível trabalhar em reservas naturais recheadas de grandes felinos

China: O país asiático oferece diversos tipos de atividades sociais, como serviços em educação e desenvolvimento de planos financeiros para ONG´s iniciantes. Para participar de alguns programas, o voluntário necessita estar matriculado em uma universidade brasileira. Preço para seis semanas de voluntariado: a partir de R$ 900. www.aiesec.org.br

Pesquise a natureza dos programas

Existem diferenças significativas entre algumas das agências que levam brasileiros para fazer trabalho voluntário pelo mundo.

Os pacotes oferecidos pela CI e pela Experimento, por exemplo, são confeccionados especialmente para pessoas que querem juntar a experiência do trabalho social com as diversões do turismo.

Ambas as empresas oferecem poucas exigências e muita flexibilidade para os candidatos. Com elas, na maioria dos casos, o viajante pode determinar a duração do programa de trabalho e tem a chance de escolher empregos mais "leves" (como cuidar de animais abandonados em reservas naturais).

Empresas como a Aiesec, por outro lado, são mais rígidas com seus voluntários. Elas exigem que eles estejam matriculados em alguma universidade e geralmente determinam quanto tempo irá durar o programa de voluntariado.

Por outro lado, esse tipo de organização tende a oferecer uma experiência mais completa para o viajante, oferecendo-lhe cursos completos sobre o país de destino e enviando-lhe para áreas mais pobres e mais necessitadas de ajuda.

Antes de decidir qual o tipo de viagem que você irá fazer, consulte detalhadamente cada uma das agências, perguntando sobre a natureza do trabalho e os gastos extras envolvidos na viagem.

Gana: Neste país africano, é possível trabalhar em orfanatos, instituições de saúde e projetos de educação de comunidades rurais. Os voluntários passam por treinamento de dois dias em Acra, capital do país, e depois são encaminhados para seu local de trabalho, que pode ser tanto em Acra como no interior de Gana. Preço para quatro semanas de voluntariado: US$ 1470. Mais informações: www.experimento.com.br

Guatemala: Trabalho em entidades que cuidam do meio ambiente, dos direitos da mulher e de pessoas com deficiência física. O voluntário fica hospedado em casa de família e recebe aulas de espanhol e sobre cultura guatemalteca. Preço para oito semanas de voluntariado: US$ 1975. Mais informações: www.experimento.com.br

Índia 1: Entidades do Estado de Goa (que abriga algumas das praias mais belas da Índia) estão abertas para receber voluntários que queiram ajudar na educação das crianças locais. Lecionar em escolas e orientar crianças com deficiências são atividades que fazem parte do trabalho. Pacotes a partir de aproximadamente US$ 2000. Mais informações: www.ci.com.br

Índia 2: Trabalhos com ensino de inglês em comunidades carentes, com serviços de saúde em favelas e com preservação do meio ambiente. O projeto pode ser realizado tanto em grandes cidades como em vilas do interior do país. Preço para sete semanas de voluntariado: US$ 2240. Mais informações: www.experimento.com.br

México: Em terras mexicanas, o voluntário pode trabalhar com recuperação de culturas tradicionais do Estado de Oaxaca, com projetos de ecoturismo, com crianças deficientes e com profissionalização de mulheres da região de Chiapas. Preço para seis semanas de voluntariado: US$ 1780. Mais informações: www.experimento.com.br

Namíbia: Neste país africano, é possível trabalhar em santuários ecológicos como o Desert Elephant (que cuida de elefantes órfãos) e no Noah´s Ark, um ?orfanato? que cuida de animais como cheetahs e babuínos. Preço para duas semanas de voluntariado: aproximadamente R$ 3.500. Mais informações: www.ci.com.br

  • Marcel Vincenti/UOL

    No Nepal, voluntários podem desenvolver diversos trabalhos sociais com a população local

Nepal: Um dos países mais pobres da Ásia, o Nepal oferece trabalho voluntário nas áreas de educação de crianças órfãs, preservação do meio ambiente e nutrição da população. Preço para 12 semanas de voluntariado: US$ 2380. Mais informações: www.experimento.com.br

Peru: Organizações que cuidam de crianças carentes das cidades de Cusco e Lima são algumas da opções de trabalho no Peru. Centros de saúde e abrigos de animais também estão abertos para receber voluntários no país andino. Preço para quatro semanas de voluntariado: US$ 1542. Mais informações: www.ci.com.br

Quênia: O país africano oferece muitos trabalhos voltados para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, especialmente a AIDS. Para participar de alguns programas, o voluntário necessita estar matriculado em uma universidade brasileira. Preço para seis semanas de voluntariado: a partir de R$ 900. www.aiesec.org.br

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