Taxi-tango é a nova moda da capital portenha; veja casas de milonga para praticar

LUCILA RUNNACLES
Colaboração para o UOL Viagem, de Buenos Aires

Percorrer as ruas de Buenos Aires, visitar pontos turísticos e se esbaldar comendo boa carne não são as únicas experiencias que o viajante pode ter quando conhece a capital argentina. A cidade portenha também é sinônimo de tango e se engana quem pensa que somente exímios dançarinos têm lugar nos salões.

A capital respira tango e os turistas que vão a Buenos Aires podem encontrar diversas opções. De segunda a domingo a variedade se estende desde lugares turísticos aos mais tradicionais, shows com orquestras ao vivo, milongas gays e até mesmo aulas na escuridão total.

As milongas são eventos típicos feitos geralmente em pequenos clubes de bairro onde pessoas de todas as idades dançam tango. E, para quem não quer fazer feio, uma boa dica é contratar o serviço de um taxi-dancer, também conhecido como taxi-tango. "Muitas vezes o turista não tem um companheiro de baile ou quer dançar com um autêntico tangueiro. Por isso, muitos procuram nossos serviços", explica Nicolas Godoy, da empresa Tangueiros Bailarinos.

O serviço de um taxi-dancer custa cerca de US$ 35/40 por hora, por um mínimo de duas horas. Além disso, o cliente também deve pagar a entrada e as bebidas que forem consumidas pelos dois.

E para que o serviço não seja confundido com disque-sexo, pelo telefone já se faz uma pré-seleção. "Algumas pessoas perguntam se os bailarinos ou bailarinas são bonitas, loiras ou morenas. Nós explicamos como funciona o nosso serviço e perguntamos várias coisas; qual estilo de tango querem aprender, há quanto tempo dançam, etc. Tudo para ver se do outro lado a pessoa está realmente interessada em dançar tango", conta Rachel Sloan,uma das sócias do Tango Taxi Dancers.

Nicolas Godoy, um dos pioneiros em oferecer o serviço em Buenos Aires, começou o projeto há 11 anos, quando aceitou um convite de uma estrangeira para acompanhá-la a uma milonga. Depois, ele abriu a sua empresa que hoje conta com cerca de 20 bailarinos. "Amo a minha profissão e tenho a sorte de que me pagam para dançar", diz.   

Saber a estatura do cliente é importante antes de enviar um bailarino. "Temos que perguntar para enviar um bailarino compatível. Para dançar bem o tango, é essencial que os dois tenham quase a mesma altura", afirma Godoy.

TANGO NO CINEMA

"Adios Pampa Mia"
Diretor: Manuel Romero
Argentina, 1946
"La Historia Del Tango"
Diretor: Manuel Romero
Argentina, 1949
"O Último Tango Em Paris"
Diretor: Bernardo Bertolucci
França, Itália, 1972
"Tango"
Diretor: Carlos Saura
Argentina, 1998
"Assassination Tango"
Diretor: Robert Duvall
Argentina, EUA, 2002
"Je Ne Suis Pas Là Pour Être Aimé"
Diretor: Stéphane Brizé
França, 2004
"Manzi, una geografía"
Diretor: Mario Bellocchio
Argentina, 2007
"El último aplauso"
Diretor: Germán Oral
Argentina, Alemanha, Japão, 2009

Onde ir
Entrar em uma sala completamente sem luz, sentir o corpo, aguçar os sentidos e ser guiado unicamente pela música é a experiência proporcionada em uma sessão de tango cego. As aulas são às quartas-feiras, no Centro Argentino de Teatro Cego (Rua Zelaya, 3006, bairro Abasto), às 19h30.

Outra opção são as baladas de tango gay, bastante populares em Buenos Aires. Em um clima relaxado e descontraído, centenas de casais deslizam pelos salões portenhos em busca de diversão e novas técnicas para aprimorar seu baile. A festa gay já começa na segunda-feira, em Bayres Folk (Rua Cochabamba, 360, em San Telmo). Na terça, Tango Queer (Rua Perú, 571, em San Telmo), é outra alternativa. A festa vai das 22h a uma da manhã. Na quarta, La Marshall (Av. Independencia, 572), ferve a partir das 22h. E, para o fim de semana, na sexta, uma das mais famosas é a milonga gay El Beso, (Rua Riobamba, 416). 

Uma vez em Buenos Aires, não dá para perder a oportunidade de experimentar, pelo menos uma vez, uma milonga de bairro, dessas bem tradicionais. Por sorte, muitas ainda não foram invadidas pelo turismo massivo. Entre os destaques estão pequenos locais como o Centro Cultural Torcuato Tasso (Rua Defensa, 1575, em San Telmo), uma das lendas do tango portenho. O local funciona há mais de uma década e as noites de milonga com orquestras costumam ser muito atrativas.

O Club Villa Malcolm (Avenida Córdoba, 5064, em Palermo), é outra opção. O salão é decorado como uma antiga cantina; com abajures coloridos e bandeirinhas nas paredes. Com ambiente aconchegante, essa milonga é muito indicada pelos entendidos, assim como o Salón Canning (Rua Scalabrini Ortiz, 1331, em Palermo). Os tangueiros assíduos dizem que esse lugar tem uma das melhores pistas da cidade. O local também oferece aulas durante a semana, apresentações de bailarinos e, em algumas ocasiões, banda ao vivo.

E como não poderia deixar de ser, Buenos Aires também conta com lugares mais turísticos como o La Viruta (Rua Armenia, 1366, em Palermo), um dos preferidos dos estrangeiros. Dançar tango ali é diversão é garantida, mas prepare-se para disputar espaço no meio de tanta gente. Outro local famoso é o Catedral (Rua Sarmiento, 4006, em Almagro). Ali o mau estado do chão é compensado pelo estilo boêmio e charmoso desse aconchegante lugar. E para quem prefere uma matinê, a Confeitaria Ideal (Rua Suipacha, 380) oferece várias alternativas; de segunda a domingo, o espaço abre para milongas a partir das 15h.

  • Cédric Hunt/UOL

    Os entendidos dizem que o tango deve ser sentido completamente e que o homem, que é quem conduz a dança, deve estar concentrado na música

Códigos tangueiros
Como quase todas as danças, o tango também é machista. E para não fazer feio na pista quando for a uma milonga, vale a pena seguir certos códigos.

O dançarino Nicolas Godoy explica que muitos homens costumam convidar as mulheres para dançar somente com um olhar e um leve movimento da cabeça. "Por isso, é importante que as mulheres fiquem atentas aos gestos masculinos. Há mulheres que reclamam que ninguém as tira para dançar, mas algumas passam a noite conversando e não se dão conta de que lá do outro lado tem alguém que está convidando para um tango somente com um olhar", explica o veterano dos salões portenhos.

Outro ponto importante é manter o silêncio durante o baile. Os entendidos dizem que o tango deve ser sentido completamente e que o homem, que é quem conduz a dança, deve estar concentrado na música. Por isso, nada de conversas na pista.   

Sapatos com sola de borracha não são uma boa ideia, pois dificultam os giros na pista. Para os homens, o mais recomendado são sapatos com solas de couro, e para as mulheres, um pouco de salto.

Dicas
O tango é algo tão valorizado, e não somente na Argentina, que foi declarado até mesmo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Unesco. Durante todos os meses Buenos Aires respira tango, mas em agosto é a vez dos profissionais. Nesse mês, a cidade é sede do Mundial de Tango. Bailarinos do mundo todo participam do campeonato, inclusive casais do Brasil, Estados Unidos, França, África do Sul, Japão,entre outros. É uma boa oportunidade para ver exímios bailarinos em cena, participar de workshops e outras centenas de eventos.

E para quem quiser aprender um pouco mais sobre essa paixão argentina, uma boa dica é participar dos tours guiados que a Secretaria de Turismo de Buenos Aires promove. A programação varia todos os meses e os grupos percorrem bairros, ruas, bares e casas ligadas ao tango.

Confira a programação no site: www.bue.gob.ar/mo=portal&ac=componentes&ncMenu=45

Mais informações

Serviço de taxi-dancers

www.tanguerosbailarines.com.ar
www.tangotaxidancers.com
http://taxidancer.blogspot.com
www.tangoweaccompany.blogspot.com

Centro Argentino de Teatro Cego (aulas de tango no escuro)

www.teatrociego.org/en/courses/tango

Radio de tango
www.radiodetangos.com

Lista de milongas em Buenos Aires

www.buenosairesmilongas.com
www.welcomeargentina.com/tango/lugares.html

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