Passeio pela Passarela dos Caranguejos, em Comandatuba, promove uma imersão no universo do mangue

DÉBORA COSTA E SILVA
Em Comandatuba *

  • Débora Costa e Silva/UOL

    Passarela dos Caranguejos no manguezal da Ilha de Comandatuba, na Bahia

    Passarela dos Caranguejos no manguezal da Ilha de Comandatuba, na Bahia

Diversas espécies de caranguejos e plantas típicas do mangue são a atração principal de um passeio pela Passarela dos Caranguejos na Ilha de Comandatuba, na Bahia, a cerca de 70 km de Ilhéus. Construída sobre o manguezal que circunda a ilha, o local surgiu em 1996 como um espaço de pesquisa e conservação do mangue graças a uma parceria entre o Hotel Transamérica e os moradores locais - que vivem da coleta dos animais - e hoje conta também com o apoio da ONG Instituto Ecotuba.

 

Característico de regiões tropicais e subtropicais, esse ecossistema surge a partir do encontro das águas doce e salgada, formando a água salobra, marcando a transição entre os ambientes terrestres e marinhos. Exclusivo das regiões costeiras, o mangue está presente ao longo do litoral sudeste-sul do Brasil, nas margens de estuários, lagunas e enseadas, sendo que a grande maioria está na costa norte.

 

O passeio é monitorado por um biólogo, que antes mesmo de entrar no mangue já começa a explicar aos visitantes as características básicas desse ecossistema. O especialista Maurício Arantes de Oliveira garantiu que a área não foi afetada nem devastada para a construção do hotel ou da passarela. "O indício é que há um coqueiral no limite entre o manguezal e o estabelecimento, o que não poderia acontecer se tivessem desmatado a área, já que coqueiro não nasce no solo do mangue", disse o biólogo.

 

Ao caminhar pelo local, sons de galhos estalando e caranguejos mergulhando na lama imperam no ambiente. As raízes retorcidas e o cheiro forte são duas constantes em um manguezal, mas ambas são destrinchadas pelo biólogo-guia. Em Comandatuba, a árvore do mangue-vermelho predomina. Sua principal característica é que ao raspar sua casca, pode-se observar uma coloração avermelhada por dentro.

 

Após receberem algumas explicações sobre a diferença entre as espécies mais comuns de caranguejos, como o guaiamum, uca e aratu, os visitantes assistem a uma demonstração de captura do crustáceo feita pelos catadores de caranguejo da região. É quase impossível identificar os bichos em meio ao lamaçal, pois além de camuflados, têm movimentos bem rápidos. Nas mãos do catador, que os expõem para quem quiser fotografar, é que conseguimos ver melhor suas cores.

 

O final da trilha é no rio Comandatuba, onde há um píer de onde se avista o povoado de Comandatuba e o Porto do Cacau do outro lado da margem. Lá é possível ter uma visão geral do mangue, visto de fora da passarela, desaguando no rio.

 

* A jornalista Débora Costa e Silva viajou à convite do Hotel Transamérica de Comandatuba

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