UOL Viagem

Sul da China

Sobre o destino Fotos Onde ficar Circulando Como chegar Agências

Thiago Minami/UOL

 

Nada de muralha ou guerreiros de argila: no Sul da China, a maior beleza está no que o homem não produziu

Arte UOL

 

Na China vivem 1,3 bilhão de chineses, certo? Em parte. Essa imensa população partilha a mesma nacionalidade ? porém, no passado, os atuais ?chineses? eram divididos em 55 grupos étnicos, além da maioria dominante, chamada de ?Han?.

Essa pequena introdução pode gerar esquentadas discussões políticas. Mas, aqui, o objetivo é o de apresentar uma variedade de culturas que, por si só, já valem uma visita ao local em que muitos desses grupos vivem. Trata-se do Sudoeste da China, mais especificamente as províncias de Yunnan e Guangxi, a que muitos chineses aludem como as mais belas do país. Isso porque, além da riqueza humana, a região é base para paisagens daquelas que nos fazem esfregar os olhos para ver se enxergamos de verdade ? é o caso das montanhas congeladas próximas à pequenina e tradicional cidade de Lijiang e a mais-chinesa-impossível paisagem entrecortada por rios e montanhas, próxima à pitoresca Guilin.

Assim como no Brasil, a diferença entre o interior chinês e as metrópoles é evidente. Enquanto cidades como Beijing e Xangai contam com redes de lojas e restaurantes internacionais, transporte público eficiente e fácil acesso a produtos ocidentais, as regiões mais distantes têm seu charme justamente por serem um exemplo vivo do país que a China está deixando de ser. É lá que se podem encontrar vendedores de rua com cestas nos ombros, apresentações de músicas em praça pública feitas pelos locais e roupas folclóricas usadas no cotidiano ? coisas que em breve só farão parte da memória.

Acompanhe uma sugestão de roteiro com os principais pontos turísticos dessas províncias. Mas, antes de começar, que esteja bem claro: sobretudo para viajantes com pouco dinheiro, aventurar-se no interior da China sem falar mandarim ou cantonês requer um gingado extra. Mesmo nas capitais, poucos falam línguas estrangeiras e a regra para conseguir qualquer coisa costuma ser a do ?jeitinho chinês?, bem semelhante ao nosso. O segredo é encarar tudo com bom humor e seguir algumas dicas.

1º Destino: Guilin, província de Guangxi

O primeiro ponto da viagem é um dos pontos turísticos mais populares do país. A grande atração é a paisagem de inúmeras montanhas entrecortadas pelo pequeno Rio Li (Li Jiang), uma das imagens mais relembradas do país. A pequena Guilin é toda rodeada por esse cenário, que está presente até no centro da cidade. Não deixe de dar uma volta na praça principal, rodeada de lojas de departamentos e hotéis, e com dois belos pagodes cravados na paisagem urbana. Ali por perto fica o Parque das Sete Estrelas (Qixing Gong Yuan), com a gigantesca Caverna das Sete Estrelas (Qixing Yan) e a Caverna do Dragão Negro (Longyin Dong), com inscrições em suas paredes que datam de 1500 anos atrás. Próximo ao centro também fica a Colina da Tromba do Elefante, que lembra o paquiderme com seu enorme nariz incidindo sobre o Rio Li.

Partindo de Guilin saem os navios que cruzam o Rio Li em direção à minúscula Yangshuo, repletas de lembrancinhas para turistas, pousadas simpáticas e tours de bicicleta para quem quiser visitar os belos arredores da cidade.

Na província de Guangxi, está a maior concentração no país da etnia Zhuang, com 18 milhões de pessoas, a segunda maior depois dos Han. Fisicamente idênticos à maioria, os Zhuang ainda guardam fortes ligações com os antepassados, por meio de cultura e rituais próprios e uma língua que se assemelha ao tailandês.


2º Destino: Kunming, província de Yunnan

O clima de Kunming, capital de Yunnan localizada a 1890 metros de altitude, é dito o mais agradável da China. Não é quente no verão, não é frio no inverno. Com quatro milhões de habitantes, trata-se de uma metrópole com cara de interior ? os edifícios cresceram em direção aos céus, mas não destruíram a atmosfera relaxada perceptível mesmo nos cantos mais movimentados.

Casa da minoria Hui, que é etnicamente igual à Han, mas distingue-se por ser muçulmana, Kunming abriga algumas mesquitas, como a Nancheng, no número 51 da Avenida Zhengyi. É nesta região que estão a maior parte dos Hui, que também podem ser vistos na cidade de Dali, ao norte.

Não perca o Parque do Lago Verde (Cuihui Gong Yuan), próximo à Universidade de Yunnan, onde os mais jovens e os mais velhos se reúnem com seus respectivos grupos para passar o dia. Muitas performances musicais acontecem todos os dias, com o único objetivo de entreter o público local. Se tiver tempo, visite também a floresta de pedra (Shilin), a 90 km da cidade


3º Destino: Lijiang, província de Yunnan

Repleta de membros da etnia Naxi, que somam pouco menos de 200 mil atualmente, Lijiang é o local perfeito para gastar até uma semana sem maiores preocupações. A parte antiga da cidade, reconstruída após o terremoto de 1996, tem tanto charme que foi eleita Patrimônio da Humanidade pela Unesco. É nessa parte que está o melhor lugar para comer, dormir e fazer compras ? a maior parte das lojinhas é mantida pelos Naxi, que apresentam mostras da tecelagem e culinária tradicionais.

Para conhecer mais sobre essa etnia, que descende da tribo tibetana Qiang, vale uma visita ao Parque do Lago do Dragão Negro (Heilongtan Gongyuan), a cerca de 15 minutos de caminhada ao norte do centro velho. Além do famoso lago com sua estimulante vista, localiza-se aí o Instituto de Cultura Dongba, que conta um pouco da história dos Naxi. Um dos guias fala inglês e, com sorte, também dá para assistir a uma apresentação da caligrafia tradicional por um dos anciãos ? são eles que recebem o nome de Dongba e dão nome ao local.

As agências de turismo locais organizam excursões de até uma semana para as atrações ao redor de Lijiang, que incluem o Pico de Jade, a Montanha de Neve e a Garganta do Salto do Tigre.


Destino extra: Macau

Para chegar ao Sudoeste da China, uma das opções é desembarcar em Hong Kong. De lá, vale uma visita de um a dois dias a Macau, uma das chamadas ?Regiões Administrativas Especiais? (SAR, na sigla em inglês) da China.

Colônia portuguesa do século 16 até 1999, quando voltou ao domínio chinês, Macau é, no mínimo, curiosa. Especialmente para os brasileiros, que podem aliviar-se das dificuldades com a língua nas inúmeras placas em português ? todos os nomes de ruas e locais estão no nosso idioma (ainda que, infelizmente, a maioria só fale cantonês). Estilo arquitetônico bem familiar, pastéis de Belém (Egg Tarts, em inglês) e muitos restaurantes de culinária portuguesa são alguns dos resquícios deixados por séculos de controle lusitano.

Ao caminhar pelo centro, dê um pulo nas Ruínas da Igreja de São Paulo (Rua de São Paulo), que tem uma história curiosa: foi desenhada por um jesuíta italiano e construída em 1602 por cristãos japoneses fugitivos de perseguição religiosa em seu país de origem. Em 1835, um incêndio destruiu tudo, deixando apenas o que resta hoje.

Completam o passeio os exuberantes cassinos, que ocupam edifícios grandiosos de gosto questionável presentes por toda a Macau. Esse é o único lugar na China onde o jogo é liberado.

 

Dicas para se dar bem no interior da China

- Poucos falam inglês ou qualquer língua estrangeira. Os que falam, dificilmente sabem mais que algumas sentenças, portanto, use palavras simples, pausadas, e não poupe gestos e comunicação corporal. Vale de tudo.


- Ao pedir informações, procure os jovens. Muitos deles são universitários e aprendem inglês para estudar.


- Barganhe. Os preços das etiquetas estão sempre supervalorizados para os turistas ? não só os estrangeiros, mas mesmo os chineses de outras regiões.


- Não se irrite. Atrasos, confusões, má-vontade dos atendentes: tudo isso faz parte do modo de vida local, então é melhor relaxar e se acostumar.


- O passaporte brasileiro rende muitos minutos perdidos na hora de trocar dinheiro ou fazer check-in nos hotéis. É comum que não consigam ler o nome do país no alfabeto e tenham dificuldades em reconhecer quais são nossos nomes e sobrenomes (na ordem chinesa e asiática em geral, sobrenome vem antes do nome). Um bom começo é memorizar ?Brasil? em mandarim: ?paxii?.


- Ande sempre com papel higiênico, item raríssimo. Os supermercados oferecem embalagens em tamanho ideal para carregar na bolsa.


- Ao escolher um lugar para comer, fique de olho no ambiente ? lugares bem cuidados são sinônimo de cozinhas mais limpas. Fuja de bufês.


- A China, sobretudo a região próxima a Cantão (Guangdong), não é o local mais apropriado para quem tem restrições alimentares. É que por lá come-se de tudo: de língua de pato grelhada com alho a carne de bode seca com pimenta. Portanto, caso tenha alguma resistência séria a algum ingrediente, o melhor é anotar o nome dele em chinês e ficar de olho no cardápio. Dá trabalho, mas não tem outro jeito (a menos que se conforme com redes de fast food americanas). E atenção: quando existem, cardápios em inglês costumam ter muitos erros de tradução.

 

GRUPO DE DISCUSSÃO

Sul da China

Você conhece as belezas do sul da China?

 

INFORMAÇÕES E SERVIÇO


Site do país - english.gov.cn

Site de turismo do país - www.cnto.org

Site de turismo de Yunnan - en.yunnantourism.com

Site de turismo de Guilin ? www.guilintourist.com

Site de turismo de Macau - www.macautourism.gov.mo/pt/

Consulados do Brasil na China - O consulado brasileiro mais próximo fica em Hong Kong. www.brazilianconsulate.org.hk

Idioma ? Cantonês é a língua falada e escrita em Macau, apesar de que o português e o chinês sejam considerados idiomas oficiais. Em Guangxi e Yunnan, o idioma oficial é o mandarim, que é falado também pelas minorias étnicas. Entre elas, no entanto, é comum o uso também das línguas de origem. No sul de Guangxi, é frequente ainda o uso do cantonês.

Fuso horário ? Em toda a China, o horário é onze horas a mais que o horário de Brasília.

DDI - 86

Códigos de acesso
Macau - 852
Guilin - 0773
Kunming - 0871
Lijiang ? 08891 (parte nova), 0888 (parte antiga)

Telefones locais de emergência ? Polícia: 110; Incêndio: 119; Emergência 120

Informações turísticas ? As cidades turísticas têm postos de informações com atendentes que falam um pouco de inglês. Eles oferecem mapas (em geral pagos) e dão informações sobre hotéis e atrações.

Moeda ? RMB (China) e Pataca (Macau, mas dólares de Hong Kong também são aceitos). Veja a cotação da moeda no site economia.uol.com.br/cotacoes/

Câmbio ? Procure sempre aeroportos, hotéis ou agências do Banco da China para trocar dinheiro de maneira segura.

Gorjeta ? Não é necessária.

Telefone - Da China para o Brasil, disque 55 antes do DDD da cidade sem o zero e do número de telefone. Para telefonar de uma cidade para outra dentro da China, adicione o código local antes do número.

A melhor opção para telefonar são os telefones públicos, que funcionam com cartão (o preço varia de 20 a 200 yuanes). Para ligações internacionais é necessário ter cartões especiais ? mas fique atento que em geral as instruções estão apenas em chinês.

Correios - As agências de Correios funcionam de segunda a sexta, das 9h às 17h. Veja informações sobre valores no site www.chinapost.cn/english/

Internet ? A maneira mais fácil de acessar a internet é procurando os ?business centers? dos hotéis. No entanto, o preço é pelo menos cinco vezes mais alto que o praticado nas lan houses. Conseguir uma vaga nessas, no entanto, requer sorte, pois é necessário apresentar documento de identificação, que, no caso do passaporte de estrangeiros, nem sempre é aceito pelos funcionários. Outra opção é procurar pelos albergues, que oferecem internet por preços razoáveis mesmo a quem não é hóspede. Em geral, uma hora sai por 4 a 5 yuanes.

Segurança ? Em geral, não há grandes riscos. Apenas fique de olho ao pagar contas e comprar pacotes turísticos nas agências, pois há risco de ser enganado. Também confira sempre se as notas de dinheiro que receber de troco são verdadeiras: existem muitas maneiras de verificar, que varia com a quantia. Pergunte na recepção dos hotéis para saber mais detalhes.

Voltagem e tomadas - Na China, a voltagem mais comum é de 220 volts. As tomadas têm dois pinos planos do mesmo tamanho e paralelos ou em forma de V.

Pesos e medidas ? São os mesmos do Brasil.

Atualizado em Abril de 2010
  • - Guia de Viagem
  • UOL Viagem
Compartilhe
Imprimir
Comunicar erro