Juan Mabromata/France Press

Livrarias, museus e gastronomia se somam ao tango na lista de atrativos da capital argentinaArte UOL

A
capital da Argentina representava para os outros latinos um pedacinho da Europa por onde se chegava por terra. Sobretudo no inverno, impressionavam a atmosfera aquecida dos cafés, a elegância dos portenhos, os shows com artistas internacionais e as pessoas circulando a pé nas madrugadas, em segurança.
As coisas mudaram depois que planos econômicos concentradores de renda destituíram os argentinos de seus empregos e rendimentos, culminando no grande protesto popular de dezembro de 2001. Mas
Buenos Aires continua de pé, distinta, e a trilha sonora do tango agora se renova em significados. Como em tantas metrópoles,
são dezenas de museus e parques para visitar, duas centenas de hotéis estrelados, milhares de cafés, bares e restaurantes e várias opções de compras.
Tango e históriaO
tango é uma dança sensual. O casal de bailarinos se entrega a um incrível jogo de encaixes de pés, pernas e corpos ao som do
bandoneón, um instrumento alemão que exige talento e força de quem maneja seus botões e teclas, em contrações ritmadas que vão das pontas dos dedos ao pescoço.
Só em Buenos Aires os
tangueiros se fazem tão presentes e o consumo de
carne bovina é tão farto e saboroso. Pacotes para turistas apressados inventaram de combinar as duas coisas. Se puder, evite economizar tempo jantando e assistindo ao tango simultaneamente. É quase um crime desviar a atenção da desenvoltura dos dançarinos para um bifão de "
chorizo" (250 gramas de carne sem osso) ou um prato de
macarronada.
Um
show de tango também pede a entrega e o envolvimento de quem o vê. Para isso, prefira as casas que os portenhos escolhem para se divertir, das 22h em diante, e onde ficam até o amanhecer, com petiscos, vinho e cerveja. Muitos dos bailarinos profissionais são carinhosos com a presença de aprendizes - aproveite a chance, se acontecer com você.
Um dos redutos da dança é o antológico café
La Paloma, que fica próximo à antiga estação ferroviária de Palermo. A primeira bandoneonista da Argentina e do mundo, Paquita Bernardo, tocou ali nos anos 20. Dá para imaginar o escândalo da cena: uma mulher bonita curvada, de braços abertos no centro do palco, equilibrando entre as pernas um instrumento que sopra vento.
Alguns
historiadores ligam o desenvolvimento dos bairros e da própria capital argentina ao
surgimento do tango. Não deixa de ser uma imagem romântica, a da Buenos Aires que nasceu e cresceu a partir da música melancólica de bailados sedutores.
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