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Vista aérea do Mercado Velho e o pôr-do-sol no rio Acre, em Rio Branco Montagem UOL / Divulgação

A Amazônia se revela em Rio Branco, por meio de um povo em sintonia com a floresta

Em 1882, um arbusto de uma árvore conhecida como gameleira chamou a atenção de um explorador cearense que subia o rio Acre, levando-o a abrir ali mesmo um seringal chamado Volta da Empresa. Mais de um século depois, a centenária árvore, com mais 20 metros de altura e 2,5 metros de diâmetro, permanece intacta e marca o exato lugar onde nasceu Rio Branco, a capital do Acre.

Apesar de destino pouco procurado pelos turistas, a cidade tem muito a oferecer. Nos últimos anos, governo e instituições privadas têm investido na revitalização das suas construções históricas, na criação de novos espaços de lazer e cultura e na valorização do saber tradicional da sua gente, que convive com a maior floresta tropical do mundo, a amazônica.
 
Visitar a capital acreana significa conhecer episódios importantes da história do norte do Brasil: a selva desbravada por valentes nordestinos nos tempos áureos da extração da borracha, a saga de um povo que lutou para ser brasileiro e o sonho de Chico Mendes (1944-1988), um líder assassinado em nome da luta pela conservação do meio ambiente e pela união dos povos da floresta.
 
Cortado pelo rio Acre, a cidade tem seu centro dividido em duas partes, denominadas primeiro e segundo distritos. À margem direita, estão as primeiras construções, depois que o seringal virou povoado, e nela se estabeleceu o comércio que serviu para abastecer as embarcações que transportavam o "ouro negro", no início do século passado. A antiga área portuária, conhecida hoje como calçadão da Gameleira, foi reurbanizada, e seus casarões transformados em bares, restaurantes e centros culturais, tornando-se o principal ponto de encontro das noites quentes da cidade. Do outro lado do rio, o Mercado Velho é outra atração que faz parte do projeto de restauração dos espaços históricos.
 
O acreano tem orgulho da sua história, que começa em 1895 quando uma comissão demarcatória definiu os limites entre Brasil e Bolívia. Determinou-se que a Bolívia ficaria com uma região rica em látex, na época ocupada por brasileiros. O governo boliviano pretendia expulsar a população e entregar o território às poderosas empresas estrangeiras que exploravam a borracha. O desejo da elite regional de incorporar essas terras ao Brasil desencadeou conflitos armados conhecidos como Revolução Acreana, que resultou na criação do Estado Independente do Acre, em 1903. O nome da cidade é uma homenagem ao diplomata Barão do Rio Branco, que teve papel fundamental nesse processo. O território permaneceu nessa condição política até a sua elevação a federação brasileira, em 1962. Para conhecer os detalhes dessa história, o Memorial dos Autonomistas reúne um acervo de fotos, esculturas e quadros sobre esse período de revoltas.
 
Quando se fala em Acre a primeira ideia que vem a cabeça é a luta do seringueiro e ativista ambiental Chico Mendes (leia a biografia). Vale se deslocar até a cidade do líder, Xapuri (a 188 km da capital), para conhecer a sua casa, que, apesar de ter passado por uma reforma, preserva as suas características originais.
 
Mas a história do Acre não se resume à exploração da seringa. Muito antes de o território ser ocupado por seringueiros cearenses e comerciantes sírio-libaneses, o lugar era habitado pelos povos indígenas. Inclusive, o nome do Estado surgiu da tradução da palavra aquiri, que significa "rio dos jacarés" na língua nativa dos índios apurinãs, um dos grupos originais da região. A Biblioteca da Floresta Ministra Marina Silva tem, entre seus objetivos, preservar a memória cultural desses povos. Para entrar de cabeça, agências locais também oferecem roteiros até algumas comunidades.
 
A população de Rio Branco, que tem cerca de 300 mil habitantes, é resultado da mistura de índios, nordestinos, negros e árabes. E, apesar da mescla, cultiva um profundo sentimento de identidade cultural, que é chamado pelo próprio povo de "acreanidade". Outro termo surgido no Acre é a florestania, união das palavras "floresta" e "cidadania" e que serve para descrever as diversas formas de se viver na Amazônia. Uma expressão muito forte dentro desses dois conceitos é o Santo Daime, uma religião nascida na floresta do Acre.
 
A capital mais ocidental do país também é a porta de entrada para a integração com os vizinhos andinos Bolívia e Peru. Com a construção da rodovia Interoceânica, que liga Rio Branco à cidade inca de Cusco, no Peru, a Secretaria de Turismo do Estado resolveu promover o roteiro Caminhos do Pacífico, que convida o visitante a desfrutar de uma viagem com uma paisagem única: a transição entre a Amazônia e os Andes.
 
Rio Branco representa um pedaço do Brasil ainda desconhecido. De tão distante, o dicionário "Aurélio" um dia usou a expressão "ir para o Acre" como sinônimo do verbo morrer. Mal sabia Aurélio que o lugar significa vida: 90% das florestas, rios e lagos do Estado estão preservados e alguns pesquisadores afirmaram que a área concentra a maior biodiversidade do planeta. Para acabar com esse mal entendido, o povo da floresta convida a todos a conhecer como se vive em harmonia com a natureza.
 

Atrações em destaque

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Calendário de eventos

jun 24

São João nas igrejas do Santo Daime

No Dia de São João, todas as igrejas do santo daime comemoram com uma grande festa ao aniversário do santo católico. A doutrina se desenvolve com a ingestão do ayahuasca, a bebida sacramental dos indígenas, e com orações e hinários cantados aos ritmos de marchas e valsas.

jul

Festival Yawa

Retrata a cultura indígena yawanawa, o povo da Queixada. Durante sete dias de festejo, há apresentações de cantos, danças e rituais que são uma boa amostra das expressões culturais dos índios do Acre. Participam em media 600 membros da comunidade, além dos visitantes que chegam de diferentes partes do Acre e do Brasil.

jul

Expoacre

A Feira de Indústria e Comércio do Acre é o maior evento do Estado e conta com exposição de equipamentos agropecuários, veículos, artesanato, roteiros turísticos, além de apresentações artísticas regionais, nacionais e internacionais.

set

Semana da Diversidade

O evento é um dos maiores do calendário anual do Acre. Durante seis dias, os espaços culturais de Rio Branco são ocupados com debates, exposições fotográficas, shows, apresentações de filmes, com a temática da diversidade. A programação também promove a parada do Orgulho GLBT, manifestação que ocorre anualmente em várias cidades do mundo em busca da igualdade para gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros.



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