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Casa da família de Guimarães Rosa e que hoje abriga o museu em homenagem ao autor, em Cordisburgo Fábio Calvetti/UOL

Cordisburgo: prosa e verso em uma rota literária rica em cultura e natureza

Se viajar para dentro dos livros já é uma aventura para muitos, as viagens para as terras natais de escritores podem render tão boas surpresas quanto uma boa página de prosa ou poesia. Cordisburgo, em Minas Gerais, é onde nasceu João Guimarães Rosa.

Cordisburgo está a 120 quilômetros de Belo Horizonte (você volte um "bocadim" porque tem acento no primeiro o, é "Córdisburgo"). A cidade de Guimarães Rosa é "pequenina terra sertaneja, trás montanhas, no meio de Minas Gerais. Só quase lugar, mas tão de repente bonito", dizia o autor.

Alguém estancou o tempo em Cordisburgo, pois a cidade pouco mudou dos relatos de Guimarães. São nove mil habitantes e um clima bucólico a qualquer momento do dia. No asfalto, mais cachorros do que carros. No horário do almoço, ruas desertas. À noite, moradores na janela em longa prosa. Lá está o início do sertão, o chão de calcário e o clima de um conto roseano. "Mistério geográfico", segundo o próprio autor.

À primeira vista, nada parece acontecer. Mas isso é toleima (tolice). "Mire e veja", lá estão as casas sem campainhas, a prosa a correr solta e, claro, as histórias... Parecem tiradas dos livros. Tem o homem que planeja construir uma residência em formato de elefante, o caipira que foi até o Itamaraty para conversar com Guimarães Rosa, as patacoadas de um vaqueiro que cruzou todo o sertão das Gerais.

Guimarães Rosa morou apenas até os dez anos na cidade, tempo suficiente para levá-la para sempre em sua trajetória. Desde menino, deleitava- se com as histórias da cidade, escondia-se dos pais para ler, conversava com viajantes na estação de trem e já estudava francês. É ali na rua principal que está a casa onde ele nasceu. Hoje, um museu em homenagem ao autor, com os Miguilins, contadores de história, entre nove e 18 anos, que narram seus contos.

"O sertão é do tamanho do mundo"
O universo roseano está em todo canto. Da janela da casa de Guimarães avista-se a pequena estação de trem de Cordisburgo — o escritor se inspirou nela para criar o conto "Sorôco, sua mãe, sua filha". A fazenda do seu Saturnino, nas imediações, está registrada em "Recado do Morro". Mas não são só lugares. Personagens de Guimarães também estão espalhados pela cidade. Juca Bananeira já morreu, mas as histórias que ele contava a Guimarães ainda estão nos livros, principalmente em "Sagarana".

Em uma simples conversa, descobre-se que Osmar, funcionário do museu, é neto de Viriato, boiadeiro e personagem dos contos "Burrinho Pedrês" e "São Marcos". Se tiver sorte, ainda encontra-se Dona Antonieta, senhora que conheceu Guimarães durante a viagem do escritor com os vaqueiros em 1952.

Para os mais aventureiros, existe a caminhada eco-literária "Caminhos do Sertão". Trata-se de uma imensa excursão adentro do cerrado, com direito a interpretação de contos de Guimarães, sempre acompanhados de um violão sertanejo e comida típica da região. Nessa caminhada, visita-se uma vereda, o famoso oásis do sertão, com seus altos buritis, tão bem descritos nos livros.

Cordisburgo também é rica em grutas. Calcula-se que existam 25 na região, mas apenas a gruta do Maquiné pode ser visitada — as outras precisam de autorização do Ibama para visitação. Classificada com três estrelas (o mais alto nível para cavernas), Maquiné possui sete salões e 650 metros de extensão, ricos em inusitadas formações calcárias e cores das mais diferentes. Não à toa, Guimarães definia a gruta com um neologismo: "milmaravilha".

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Semana Roseana

Na última semana de julho, Cordisburgo é tomada por milhares de turistas, estudantes, universitários e fãs de Guimarães Rosa. É a Semana Roseana, sete dias dedicados inteiramente ao escritor. O evento conta com palestras, mostras de cinema, apresentações musicais e caminhadas eco-literárias. Devido à pequena rede hoteleira da cidade, é preciso fazer as reservas com grande antecedência ou encontrar moradores que aluguem suas casas durante a semana.

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