Eduardo Vessoni/UOL
Escultura localizada na entrada do Paseo del Buen Pastor, em Nueva Córdoba, bairro próximo ao centro histórico da cidade Eduardo Vessoni/UOL

Córdoba é considerada a Capital Cultural das Américas

Em cada região da Argentina, existe um ritual socializador. Em Buenos Aires, os portenhos utilizam o mate quente; no norte do país, o gelado tereré refresca os dias quentes das elevadas altitudes; e em Córdoba, em pleno centro do país, o famoso humor cordobês, aliado a uma simpatia única na Argentina, dá as boas vindas ao visitante que acaba de chegar.

Quando um morador local desconhecido soltar a sua primeira piada, inesperada e inteligente, você pode se sentir à vontade. Isso significa que ele acaba de abrir as portas de sua "casa": uma imensa área verde de mais de 160 mil km² que inclui uma agitada vida cultural, histórias jesuíticas contadas entre paredes do século 16 e belas serras.

Córdoba, a capital da província de mesmo nome, é a segunda maior cidade de toda a Argentina, mas você nem vai perceber. O clima interiorano ainda dita o ritmo dessa grande metrópole considerada a Capital Cultural das Américas.

O título é recente, mas a região começou a mostrar seu talento artístico e histórico alguns séculos antes. A cidade de Córdoba, a primeira capital oficial da Argentina, foi também o principal centro dos trabalhos espirituais e culturais da Província Jesuítica do Paraguai, uma área religiosa que incluía territórios do Brasil, Bolívia, Uruguai e Chile, além do próprio Paraguai.

Desde quando chegaram os primeiros jesuítas da Ordem da Companhia de Jesus, em 1599, a província de Córdoba abriga construções de elevado valor histórico. Não é à toa que o conjunto patrimonial e histórico de toda a região foi considerado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Aqueles respeitados evangelizadores foram expulsos quase dois séculos mais tarde, mas o legado que deixaram é o "produto" turístico mais procurado da região.

O itinerário cultural começa na Manzana Jesuítica, um bem cuidado quarteirão que começou a ser construído logo nos primeiros anos da chegada dos jesuítas e que, hoje, compreende a Igreja da companhia jesuítica fundada por San Ignacio de Loyola, a Universidade Nacional de Córdoba (a mais antiga da América do Sul, inaugurada em 1613) e o Colégio Nacional de Monserrat.

Para manter os empreendimentos desse complexo religioso, considerado um dos maiores investimentos europeus em todo o continente americano, organizaram-se estabelecimentos rurais produtivos localizados no interior da província. E o que serviu para abastecer essas fazendas, agora são fonte de renda de cidades serranas como Alta Gracia, Colonia Caroya e Jesús María. A preservação do conjunto arquitetônico de uma região que teve sua história reescrita por mãos europeias é um dos destaques do roteiro.

No entanto, quem quiser conhecer essa área afastada dos grandes centros comerciais sul-americanos que atraiu padres jesuítas do século 17 deve subir as serras cordobesas. Planícies e vales cercados por arroios e lagoas são as maiores descobertas dessa região ainda tão pouco difundida entre turistas brasileiros que escolhem o país vizinho como destino de férias.

Córdoba faz bem para o humor, para a saúde e para o bolso. Embora seja uma das maiores cidades da Argentina, os preços praticados, aliados a uma moeda local desvalorizada com relação ao Real, fazem do destino um atrativo para o turista brasileiro em épocas de crise financeira mundial.

Por esses e outros motivos que o humor cordobês continua tão especial e surpreendente, como suas serras e cidades históricas.

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